Senador afirmou ter solicitado à produtora um levantamento completo dos gastos em até 30 dias
Em meio à escalada da crise envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira (19) que determinou uma espécie de auditoria informal nas contas do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi comunicada após uma reunião fechada com parlamentares do PL em Brasília, convocada diante da repercussão das revelações sobre a relação entre Flávio e o empresário investigado pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O senador afirmou que pediu à produtora responsável pelo longa uma prestação de contas detalhada sobre todos os recursos recebidos e gastos durante a produção.
“Pedi à produtora para que se organizassem para fazer uma prestação de contas das despesas de todo mundo, de forma transparente”, declarou Flávio a jornalistas.
A medida ocorre depois da divulgação de mensagens, áudios e registros de conversas que mostram cobranças feitas pelo senador a Daniel Vorcaro em torno do financiamento do projeto cinematográfico.
Segundo as informações reveladas, o empresário teria prometido investir cerca de US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época —, mas apenas US$ 10,6 milhões, o equivalente a cerca de R$ 61 milhões, foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
Nos bastidores do PL, a crise passou a ser tratada como um dos principais focos de desgaste político envolvendo o entorno da família Bolsonaro desde o início das articulações para as eleições de 2026.
Durante a coletiva, Flávio também afirmou que pediu mecanismos para garantir rastreabilidade sobre eventual retorno financeiro do filme, principalmente diante das investigações envolvendo Vorcaro.
“Outro pedido é que, assim que o filme der resultado, o valor aplicado pelo Daniel Vorcaro vai ser destacado e ficará à disposição das autoridades para resolverem o que vão fazer”, afirmou.
A declaração foi interpretada dentro do partido como uma tentativa de afastar suspeitas sobre a destinação dos recursos utilizados no longa e demonstrar colaboração preventiva diante do avanço das investigações.
Flávio voltou a sustentar que não houve qualquer irregularidade na operação financeira envolvendo o filme.
“Foi um investimento privado em um filme privado, sem uso de dinheiro público”, argumentou o senador.
A pressão aumentou nos últimos dias após o próprio Flávio confirmar que visitou Daniel Vorcaro em São Paulo logo depois da primeira prisão do empresário na Operação Compliance Zero.
O encontro ocorreu quando o ex-controlador do Banco Master já estava em prisão domiciliar com medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e retenção de passaportes.
Segundo o senador, a visita ocorreu para “colocar um ponto final” na parceria financeira.
“Nós entendemos que a situação era muito mais grave. Eu fui ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”, disse.
Daniel Vorcaro foi preso inicialmente em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Meses depois, voltou à prisão por decisão do ministro André Mendonça, do STF, sob suspeita de interferência nas investigações e manutenção de uma estrutura clandestina de monitoramento com acesso a informações sigilosas.
Com a nova frente de desgaste aberta dentro do PL, aliados de Flávio agora tentam conter os impactos políticos do caso sobre sua movimentação nacional e sobre a construção de uma possível candidatura presidencial em 2026.