Ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, está entre os alvos apontados pelo Ministério Público em investigação sobre contratos que ultrapassam R$ 113 milhões.
Os investigados na Operação Buraco Sem Fim sofreram mais um revés na tentativa de deixar a prisão. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, negou o pedido de habeas corpus apresentado pelas defesas do ex-secretário municipal de Infraestrutura de Campo Grande e ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, do ex-superintendente de Serviços Públicos, Mehdi Talayeh, e do ex-coordenador da operação tapa-buracos, Edivaldo Aquino Pereira.
Na decisão, o ministro entendeu que o caso ainda precisa ser analisado em sua totalidade pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), motivo pelo qual considerou prematura a intervenção do STJ neste momento processual.
Segundo o entendimento do magistrado, não há situação excepcional que justifique a análise antecipada do pedido pela Corte Superior. Com isso, os investigados permanecem presos enquanto aguardam o andamento dos recursos na Justiça estadual.
Os três são apontados pelo Ministério Público como integrantes de um suposto esquema de corrupção voltado ao desvio de recursos públicos destinados à manutenção viária da Capital. A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e pelo Gaeco.
De acordo com os investigadores, contratos relacionados à operação tapa-buracos teriam sido utilizados para favorecer pagamentos incompatíveis com a execução real dos serviços. A apuração envolve contratos que, somados, ultrapassam R$ 113 milhões.
As suspeitas recaem sobre acordos firmados entre agentes públicos e empresários ligados à Construtora Rial, empresa responsável por parte dos serviços contratados pela Prefeitura de Campo Grande. O material reunido durante a investigação, incluindo dados obtidos por meio de quebras de sigilo autorizadas pela Justiça, teria indicado divergências entre os valores pagos e os serviços efetivamente realizados.
A Operação Buraco Sem Fim foi deflagrada em maio e resultou em prisões, buscas e apreensões. O caso ganhou repercussão diante dos altos valores envolvidos e das frequentes reclamações da população sobre as condições das ruas e avenidas da Capital, mesmo com o aumento dos investimentos públicos destinados à recuperação da malha viária nos últimos anos.
Com a decisão do STJ, a expectativa agora é pelo julgamento dos recursos pendentes no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, etapa considerada necessária antes que a discussão possa retornar às cortes superiores.