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Após repercussão de mensagens reveladas pela imprensa, Vorcaro nega irregularidades em filme sobre Bolsonaro

Caso envolve investimento de R$ 60 milhões e voltou ao debate político após divulgação de conversas entre o ex-banqueiro e Flávio Bolsonaro.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou às autoridades federais que não houve qualquer irregularidade no investimento realizado por empresas ligadas ao seu grupo na produção do filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A declaração consta em uma nova colaboração apresentada por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no início deste mês. Segundo o relato, o aporte ocorreu dentro de parâmetros considerados legítimos pelo empresário, sem troca de favores, vantagens indevidas ou qualquer tipo de benefício ilegal.

O tema ganhou projeção nacional após a divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As conversas tratariam de um investimento estimado em R$ 60 milhões na produção cinematográfica, levantando questionamentos e alimentando especulações sobre os motivos da operação.

Na manifestação entregue às autoridades, Vorcaro sustentou que a relação entre as partes ocorreu de maneira institucional e dentro da legalidade. A posição apresentada pelo banqueiro converge com a defesa já adotada por Flávio Bolsonaro, que sempre rejeitou a existência de qualquer irregularidade envolvendo o projeto.

O episódio voltou ao centro das discussões em um momento de forte movimentação política nacional. Dias após a divulgação das mensagens, uma pesquisa eleitoral do instituto AtlasIntel também gerou controvérsia. O levantamento apontava alterações relevantes nas intenções de voto para a Presidência da República, mas acabou sendo alvo de questionamentos.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que a metodologia utilizada na pesquisa apresentava elementos incomuns em relação a outros levantamentos realizados pelo mesmo instituto. Segundo a Corte, foram utilizados áudios durante a coleta de dados, prática que levantou dúvidas sobre a neutralidade da aferição.

Diante disso, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a retirada imediata da pesquisa das plataformas digitais e dos canais oficiais onde havia sido divulgada. Na decisão, o magistrado apontou indícios de que o levantamento poderia ter ultrapassado os limites de uma pesquisa estatística convencional.

A análise do tribunal levou em consideração outras 27 pesquisas realizadas anteriormente pelo instituto. Conforme registrado na decisão, nenhuma delas utilizou recursos de mídia semelhantes aos empregados no levantamento posteriormente suspenso.

Enquanto a investigação sobre o conteúdo da delação segue sob análise das autoridades, a manifestação de Vorcaro reforça sua versão de que o investimento no filme sobre Bolsonaro ocorreu de forma regular e sem qualquer vínculo com práticas ilícitas ou favorecimentos políticos.