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Ana Portela atribui intervenção no transporte coletivo ao trabalho da CPI e promete manter fiscalização

Relatora da CPI do Transporte Público afirma que irregularidades já haviam sido apontadas em relatório encaminhado ao Ministério Público e defende fiscalização permanente do sistema.

A vereadora Ana Portela (PL) reagiu à decisão da prefeita Adriane Lopes (PP) de decretar intervenção no contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande e afirmou que a medida não representa nenhuma surpresa diante das conclusões alcançadas durante a CPI do Transporte Público, realizada pela Câmara Municipal no ano passado.

Relatora da comissão parlamentar de inquérito, Ana Portela afirmou que as irregularidades agora apontadas pela Prefeitura e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização já haviam sido identificadas durante os trabalhos da CPI.

Segundo a parlamentar, a comissão realizou uma ampla investigação, com visitas técnicas, análise de contratos, inspeções em garagens e acesso a documentos relacionados à operação do sistema de transporte coletivo da Capital.

“Para mim, não é surpresa. Nós tivemos acesso a informações, visitamos estruturas do sistema, ouvimos envolvidos e apontamos uma série de problemas que precisavam ser enfrentados”, afirmou.

Ao final dos trabalhos da CPI, Ana Portela encaminhou um relatório aos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público. No documento, a vereadora apontou supostas irregularidades envolvendo tanto o Consórcio Guaicurus quanto a atuação do poder público municipal na fiscalização do contrato.

Na época, o relatório também citou o que a parlamentar classificou como falhas e omissões na fiscalização por parte da administração municipal, além de apontamentos envolvendo ex-dirigentes de órgãos ligados ao acompanhamento da concessão e representantes do consórcio responsável pelo transporte coletivo.

Para a vereadora, a intervenção decretada pela Prefeitura demonstra que os problemas identificados pela CPI possuíam fundamentos concretos e exigiam providências mais rígidas por parte do poder público.

Ana Portela afirmou ainda acreditar que o relatório produzido pela comissão teve papel importante para impulsionar os desdobramentos que culminaram na abertura do processo de intervenção.

“Eu acredito que o trabalho realizado pela CPI contribuiu para que essas irregularidades viessem à tona e para que as autoridades tomassem providências mais efetivas em relação ao contrato”, declarou.

A parlamentar também avaliou que a medida poderia ter sido adotada antes.

Segundo ela, os indícios levantados durante as investigações já apontavam para a necessidade de uma atuação mais firme do Município na condução e fiscalização do sistema.

Apesar de considerar a intervenção um avanço, Ana Portela afirmou que continuará acompanhando de perto os próximos passos da administração municipal e da equipe de interventores.

A vereadora destacou que a principal preocupação deve ser a qualidade do serviço prestado à população.

“O transporte público é um serviço essencial. Todos os dias ele leva pais e mães para o trabalho, estudantes para as escolas e milhares de trabalhadores para suas atividades. A população merece um transporte digno, seguro e eficiente”, afirmou.

Com a intervenção decretada pela Prefeitura, o Município assumirá, pelos próximos 180 dias, a gestão da concessão para apurar irregularidades, analisar a situação financeira e operacional do sistema e definir quais medidas deverão ser adotadas em relação ao futuro do contrato firmado com o Consórcio Guaicurus.

Para Ana Portela, o processo representa uma oportunidade para que sejam esclarecidas todas as dúvidas levantadas ao longo dos últimos anos sobre a execução do serviço e para que a população tenha respostas sobre a qualidade do transporte coletivo oferecido na Capital.