Ex-candidato a prefeito afirma que decisão judicial derrubou a tese de que seria impossível enfrentar o grupo que controla o transporte coletivo de Campo Grande.
O ex-candidato à Prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2024, Luso de Queiroz, comemorou a decisão que culminou na intervenção do Município sobre o contrato de concessão do transporte coletivo operado pelo Consórcio Guaicurus.
Luso foi o autor da ação popular que resultou na determinação judicial para que a Prefeitura de Campo Grande instaurasse o procedimento de intervenção no contrato. A medida foi posteriormente confirmada pela Justiça e acabou sendo formalizada nesta terça-feira (16) pela prefeita Adriane Lopes (PP), por meio de decreto publicado no Diário Oficial do Município.
Ao comentar a decisão, Luso afirmou que a intervenção sempre foi uma das principais bandeiras defendidas por ele durante a disputa eleitoral de 2024.
“Foi a nossa promessa de campanha em 2024. Todo mundo duvidou. Nos chamaram de loucos e disseram que era impossível enfrentar o grupo Comporte e o Consórcio Guaicurus”, declarou.
A ação foi proposta por Luso em conjunto com o advogado Oswaldo Meza, que atuou na condução do processo judicial que buscava obrigar o Município a adotar providências diante das denúncias envolvendo a prestação do serviço de transporte coletivo na Capital.
Na avaliação do ex-candidato, a decisão representa uma vitória para os usuários do sistema e para os trabalhadores que dependem diariamente dos ônibus para se deslocarem pela cidade.
“A gente é teimoso. Brasileiro não desiste nunca. Nós lutamos pelos trabalhadores, pelos usuários do transporte coletivo e por aquilo que consideramos justo”, afirmou.
Luso também destacou que a intervenção não encerra a necessidade de fiscalização. Segundo ele, o acompanhamento da situação deve ser ainda mais rigoroso a partir de agora, uma vez que a gestão do sistema passa a ser conduzida diretamente pela administração municipal durante o período interventivo.
“Agora vamos fiscalizar mais fortemente. Quem comanda o consórcio hoje é a Prefeitura de Campo Grande, como nós defendíamos lá atrás e continuamos defendendo”, disse.
A intervenção decretada pela prefeita Adriane Lopes terá duração inicial de até 180 dias e prevê a nomeação de uma equipe responsável por administrar, auditar e fiscalizar os aspectos operacionais, financeiros e jurídicos da concessão.
Durante esse período, serão apuradas as causas das irregularidades apontadas em relatórios técnicos, decisões judiciais e procedimentos administrativos relacionados ao transporte coletivo da Capital.
Para Luso, a medida representa um marco na discussão sobre o futuro da mobilidade urbana em Campo Grande e reforça a necessidade de maior controle sobre a execução do contrato que rege o sistema há mais de uma década.
A expectativa agora é que os trabalhos da intervenção produzam um diagnóstico detalhado sobre a situação da concessão, servindo de base para futuras decisões da Prefeitura quanto à manutenção, reformulação ou eventual encerramento do contrato atualmente mantido com o Consórcio Guaicurus.