O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, elevou o tom contra a Rússia nesta quinta-feira (18) ao afirmar que Moscou poderá sofrer consequências ainda mais severas caso as forças russas mantenham os ataques contra cidades ucranianas. Em uma mensagem divulgada à imprensa, o líder ucraniano declarou que “Moscou vai pegar fogo” se a Ucrânia continuar sendo alvo de bombardeios russos.
A declaração foi feita após uma nova onda de ataques com drones lançados pela Ucrânia contra a capital russa durante a madrugada. Segundo autoridades e veículos internacionais, explosões foram registradas em uma importante refinaria de petróleo nos arredores de Moscou, atingida pela segunda vez na mesma semana. A ofensiva provocou incêndios, interrupções temporárias em aeroportos e restrições na circulação em algumas áreas da cidade.
Zelensky afirmou que as ações ucranianas representam uma resposta direta aos recentes ataques promovidos pela Rússia contra o território da Ucrânia. Entre os episódios citados pelo presidente está um bombardeio realizado no início da semana que atingiu Kiev e outras regiões do país, deixando mortos e causando danos a estruturas históricas, incluindo o tradicional Mosteiro de Kiev-Pechersk Lavra, considerado um dos símbolos religiosos mais importantes da Ucrânia.
Durante sua manifestação, o presidente reforçou que a Ucrânia não iniciou o conflito e voltou a responsabilizar Moscou pela continuidade da guerra. Segundo ele, caso os ataques contra cidades ucranianas persistam, as operações militares dentro do território russo também tendem a aumentar. A fala representa uma das declarações mais contundentes de Zelensky desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
A escalada ocorre em um momento de intensificação das operações ucranianas contra infraestrutura estratégica russa. Nos últimos meses, Kiev ampliou o uso de drones de longo alcance para atingir refinarias, depósitos de combustível e instalações militares localizadas a centenas de quilômetros da linha de frente. O objetivo, segundo autoridades ucranianas, é reduzir a capacidade logística e financeira de Moscou para sustentar a guerra.
Além das advertências direcionadas ao Kremlin, Zelensky voltou a cobrar maior envolvimento dos países ocidentais. O presidente pediu que Estados Unidos e nações europeias ampliem as sanções contra os setores de energia, defesa e finanças da Rússia, argumentando que o aumento da pressão econômica seria fundamental para forçar o governo de Vladimir Putin a negociar o fim do conflito.
A declaração ocorreu às vésperas de reuniões com aliados da Ucrânia na Europa. Entre os temas debatidos estão o fortalecimento dos sistemas de defesa aérea ucranianos, o envio de novos equipamentos militares e a ampliação da cooperação internacional para proteger cidades frequentemente atingidas por mísseis e drones russos.
Enquanto Kiev busca ampliar sua capacidade de defesa, Moscou continua afirmando que mantém vantagem estratégica no conflito e minimiza os impactos dos recentes ataques ucranianos em território russo. Apesar disso, as ações com drones têm provocado cada vez mais transtornos na capital russa, levando o conflito, de forma mais visível, para áreas antes consideradas relativamente distantes da guerra.