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Riedel endurece discurso sobre invasões e manda recado: “Crime é crime”

Durante evento na Famasul, Riedel rebateu declarações que associavam o episódio de Sidrolândia a grupos políticos e reforçou que “crime é crime”.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), adotou um dos discursos mais firmes dos últimos meses ao comentar os recentes conflitos envolvendo áreas rurais e comunidades indígenas no Estado. Durante evento realizado na manhã desta quinta-feira (18) na Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), o chefe do Executivo afirmou que o Estado não irá tolerar qualquer tipo de desordem.

“Não há um palmo de terra no Mato Grosso do Sul onde o Estado não possa estar presente, garantindo a ordem, a institucionalidade e os direitos das pessoas”, declarou.

A fala ocorreu em meio à repercussão dos acontecimentos registrados no último fim de semana na Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, onde houve invasão da propriedade, destruição de patrimônio e furto de bens, segundo relato do governo estadual.

Ao comentar o episódio, Riedel afirmou que as forças de segurança atuaram para restabelecer a ordem e recuperar os objetos levados durante a ação.

“Foi um ato direto de agressão e invasão de uma propriedade legalizada, com destruição de patrimônio privado e furto. A polícia agiu, recuperou os bens furtados e está encaminhando o indiciamento dos autores”, afirmou.

Resposta a Zeca do PT

Durante a entrevista, Riedel também rebateu declarações do deputado estadual Zeca do PT, que havia sugerido que os responsáveis pelo episódio estariam ligados a grupos políticos de direita.

Sem citar diretamente o parlamentar, o governador criticou a tentativa de atribuir conotação ideológica aos acontecimentos.

“Ouvi alguém dizer que existe índio de direita ou índio de esquerda. Eu digo: existe criminoso de direita e criminoso de esquerda. Crime é crime. Não interessa quem o pratique ou de que forma o faça”, declarou.

A afirmação foi interpretada como uma resposta direta à tentativa de politização dos conflitos registrados na região.

Debate fundiário é legítimo, mas sem desordem

Apesar do tom firme em relação aos atos considerados criminosos, Riedel reconheceu que a discussão sobre questões fundiárias e demarcações indígenas é legítima e precisa avançar.

Segundo ele, o tema permanece sem solução definitiva há anos e envolve debates complexos no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Essa é uma discussão legítima. Há dificuldades para se encontrar uma solução definitiva. Existem discussões sobre PEC, questionamentos no STF e grupos de trabalho inconclusos”, observou.

O governador, porém, reforçou que a existência do debate não pode justificar ações fora da lei.

“Essa discussão legítima não pode servir de motivo para a instalação da desordem”, concluiu.

A declaração foi recebida com aplausos por representantes do setor produtivo presentes no evento e reforça o posicionamento do governo estadual de defesa da segurança jurídica, da propriedade privada e da atuação das forças de segurança diante dos conflitos agrários registrados em Mato Grosso do Sul.