Defesa procurou o Gaeco para obter informações sobre a decisão judicial; buscas já foram realizadas, mas o ex-deputado ainda não foi encontrado.
Um dia após a Justiça de Mato Grosso do Sul decretar a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, o Portal O Contribuinte apurou com exclusividade que ele ainda não foi localizado pelas autoridades e é considerado foragido, diante da existência de um mandado de prisão em aberto que permanece sem cumprimento.
Segundo informações obtidas pela reportagem, equipes responsáveis pelo cumprimento da ordem judicial já realizaram diligências para localizar o ex-parlamentar, mas, até o momento, ele não foi encontrado.
Na manhã desta quinta-feira (9), a defesa de Neno Razuk esteve na sede do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em busca de informações sobre a decisão judicial que determinou sua prisão. Até o momento, não há confirmação de apresentação voluntária do ex-deputado às autoridades.
A ordem de prisão foi expedida após a perda do mandato parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Enquanto ocupava o cargo de deputado estadual, Neno respondia ao processo em liberdade. Com o fim do mandato, a Justiça acolheu o pedido formulado pelo Ministério Público e determinou o cumprimento da pena imposta em primeira instância.
Neno Razuk foi condenado a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, no âmbito da Operação Sucessione.
Segundo a denúncia apresentada pelo Gaeco, o ex-deputado é apontado como líder de uma organização criminosa que buscava assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul após o desmantelamento da organização anteriormente investigada na Operação Omertà.
De acordo com o Ministério Público, a organização teria praticado diversos crimes para consolidar sua atuação, incluindo roubos contra integrantes de um grupo rival. A denúncia afirma que, em 16 de outubro de 2023, integrantes da organização realizaram ao menos três assaltos semelhantes contra motociclistas responsáveis pela arrecadação diária do jogo do bicho, utilizando armas de fogo, múltiplos veículos e atuação coordenada, características que, segundo o órgão, demonstrariam a estrutura e o grau de organização do grupo.
Ainda conforme a acusação, documentos, aparelhos eletrônicos, depoimentos e demais provas reunidas durante a investigação indicam a participação de diversos familiares de Neno Razuk na estrutura da organização. Além da exploração de jogos de azar, o grupo responde a acusações relacionadas à organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e outras infrações correlatas.
O patriarca da família, Roberto Razuk, cumpre prisão domiciliar em razão de problemas de saúde. Já os irmãos de Neno, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto, permanecem presos, assim como o advogado Rhiad Abdulahad, todos investigados no mesmo contexto da Operação Sucessione.
O que acontece quando um investigado não é localizado?
Quando a Justiça expede um mandado de prisão e o alvo não é encontrado para seu cumprimento, as forças de segurança permanecem realizando diligências para tentar localizá-lo. O mandado continua válido até que seja efetivamente cumprido ou sobrevenha decisão judicial em sentido contrário.
Além das buscas em endereços conhecidos e locais eventualmente vinculados ao investigado, as autoridades podem realizar novas diligências sempre que surgirem informações sobre seu paradeiro.
A legislação também permite que o investigado se apresente espontaneamente às autoridades para o cumprimento da ordem judicial. Enquanto isso não ocorre, o mandado permanece ativo e o procurado continua sendo alvo das ações policiais destinadas à sua localização.
Até a publicação desta reportagem, Neno Razuk não havia sido localizado nem havia informação oficial sobre sua apresentação voluntária às autoridades.