A inflação oficial do Brasil perdeu força em junho e registrou alta de 0,16%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava avanço de 0,31% para o mês. No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,72% para 4,64%, permanecendo acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
A principal contribuição para a desaceleração da inflação veio do grupo alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,24% em junho. O recuo foi impulsionado pela redução dos preços de produtos como tomate, café moído e outros alimentos, favorecidos pelo aumento da oferta e pelo avanço da safra de inverno. A queda ajudou a compensar a pressão exercida por outros itens da cesta de consumo das famílias.
Em contrapartida, o grupo Habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com alta de 0,63%. O principal responsável pelo avanço foi o aumento nas tarifas de energia elétrica residencial, que teve o maior impacto individual sobre o IPCA do mês. Também houve elevação em alguns serviços e despesas domésticas.
Apesar da desaceleração em junho, a inflação acumulada em 12 meses continua acima do limite superior da meta perseguida pelo Banco Central. Ainda assim, o resultado abaixo das expectativas reforçou a percepção do mercado de que a pressão inflacionária começa a perder intensidade, o que pode influenciar as próximas decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).
O IPCA é considerado o principal indicador da inflação no país e serve como referência para a política monetária brasileira. Calculado mensalmente pelo IBGE, o índice acompanha a variação dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em diversas regiões do Brasil.