Medida deve ser publicada nas próximas horas e homenageia um dos personagens mais marcantes da história política de Campo Grande.
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), deve decretar luto oficial de três dias em razão da morte do ex-prefeito Alcides Bernal. A informação foi apurada pelo Portal O Contribuinte junto a fontes da administração municipal.
O decreto deverá ser publicado nas próximas horas e seguirá a mesma linha da medida adotada pela Câmara Municipal de Campo Grande. O presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), também decretou luto oficial de três dias em homenagem ao ex-prefeito.
Mesmo com o decreto, as sessões legislativas serão mantidas, assim como ocorre tradicionalmente em casos de luto oficial decretado pelo poder público.
Além da homenagem institucional, a morte de Alcides Bernal reacende comparações entre duas trajetórias políticas que, embora vividas em contextos completamente diferentes, apresentam pontos de convergência.
Bernal e Adriane Lopes chegaram ao comando da Prefeitura de Campo Grande pelo então Partido Progressista (hoje Progressistas) e construíram suas vitórias enfrentando estruturas políticas consideradas muito superiores.
No caso de Adriane Lopes, a então vice-prefeita assumiu a administração municipal em 2022, após Marquinhos Trad deixar o cargo para disputar o Governo do Estado. Durante cerca de dois anos, comandou a máquina pública e, nas eleições de 2024, conquistou a reeleição após enfrentar o deputado federal Beto Pereira, candidato que reuniu ampla coligação partidária, recebeu apoio da maioria da Câmara Municipal e contou, inclusive, com o apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro. No segundo turno, Adriane derrotou também Rose Modesto e consolidou sua permanência à frente da Prefeitura.
A história de Alcides Bernal, porém, foi construída em circunstâncias ainda mais adversas.
Em 2012, então deputado estadual, Bernal não comandava a máquina pública e enfrentou uma das maiores estruturas políticas já montadas em uma eleição municipal em Mato Grosso do Sul. Seu principal adversário, Edson Giroto, era o candidato apoiado pelo então governador André Puccinelli e por uma coligação formada por 17 partidos.
Contra praticamente todo o establishment político da época, Bernal venceu uma eleição considerada histórica e que alterou profundamente o cenário político da Capital.
Nos bastidores da política sul-mato-grossense, essa disputa costuma ser lembrada como um dos maiores exemplos de vitória contra o sistema político estabelecido. Guardadas as diferenças de contexto, analistas frequentemente comparam o impacto daquela eleição municipal ao fenômeno eleitoral vivido por Jair Bolsonaro em 2018, quando o então deputado federal venceu a disputa presidencial enfrentando candidaturas apoiadas por partidos tradicionais e estruturas políticas consolidadas.
Embora cada processo tenha características próprias e tenha ocorrido em momentos distintos da política brasileira, a eleição de Bernal permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história eleitoral de Campo Grande.
Com o decreto de luto oficial, Adriane Lopes presta uma homenagem institucional a um ex-prefeito que deixou uma marca significativa na política da Capital e cuja trajetória continua sendo lembrada como uma das mais improváveis e simbólicas da história recente do município.