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Crise no transporte: interventor suspeita de boicote financeiro e operacional do Consórcio Guaicurus

A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus ganhou um novo capítulo após o interventor responsável pela administração temporária do sistema levantar a hipótese de que medidas adotadas pelos antigos gestores possam ter buscado dificultar o trabalho da equipe nomeada pelo município.

Segundo Alexandre de Oliveira, a intervenção identificou indícios que estão sendo analisados e que podem indicar uma tentativa de pressionar financeiramente a operação do transporte coletivo logo nos primeiros dias da nova gestão.

De acordo com o interventor, uma das situações observadas foi um aumento significativo na quantidade de viagens realizadas, o que teria elevado os custos operacionais em um momento considerado delicado para o caixa da concessionária.

Embora tenha evitado afirmar categoricamente que houve uma ação deliberada, Alexandre afirmou que a possibilidade está sendo investigada. Na avaliação dele, uma eventual ampliação da operação sem planejamento financeiro poderia comprometer a sustentabilidade do serviço e criar dificuldades para a própria intervenção.

A preocupação, segundo o gestor, seria a de que um eventual colapso financeiro pudesse ser interpretado como incapacidade da Prefeitura em manter o transporte coletivo funcionando durante a intervenção.

Fim dos aportes amplia preocupação

Outro ponto considerado sensível pela equipe interventora é a interrupção dos aportes financeiros que, segundo Alexandre, vinham sendo realizados pelos sócios do Consórcio nos últimos meses.

Conforme relatado pelo interventor, levantamentos internos apontam que os empresários já realizavam injeções periódicas de recursos para garantir a continuidade da operação, já que a arrecadação com as tarifas não seria suficiente para cobrir todas as despesas do sistema.

Segundo ele, o último aporte teria alcançado aproximadamente R$ 3,4 milhões, valor considerado essencial para custear despesas como combustível, manutenção da frota e pagamento de funcionários.

Diante desse histórico, Alexandre afirma que solicitou apenas a manutenção do modelo que já vinha sendo adotado antes da intervenção, argumentando que a responsabilidade dos sócios sobre a concessionária permanece mesmo com o afastamento da gestão administrativa.

O interventor também informou que, caso os aportes sejam definitivamente interrompidos, a Procuradoria do Município e o Poder Judiciário poderão ser acionados para avaliar eventual responsabilização dos empresários.

Consórcio nega tentativa de sabotagem

Em nota encaminhada à imprensa, o Consórcio Guaicurus rejeitou a existência de qualquer tentativa de boicotar a intervenção.

As empresas afirmam que a programação de viagens não é definida pela concessionária, mas pelo poder concedente, por meio das ordens de serviço emitidas pela administração pública.

Segundo o Consórcio, qualquer alteração na quantidade de viagens depende de determinação oficial e pode ser comprovada documentalmente.

A concessionária também destacou que, desde o decreto de intervenção, a própria equipe nomeada pela Prefeitura possui competência para expedir ordens de serviço, razão pela qual considera incompatível a hipótese de ter aumentado unilateralmente o número de viagens.

Debate sobre os aportes

Em relação aos recursos financeiros, o Consórcio sustenta que não existe obrigação contratual ou legal para que os sócios realizem aportes de capital.

Na manifestação, as empresas afirmam que todos os repasses realizados anteriormente ocorreram de forma voluntária e foram motivados pelo desequilíbrio econômico do contrato, já que, segundo a concessionária, a receita obtida com as tarifas não cobre os custos da operação.

O grupo também argumenta que, após a decretação da intervenção, os administradores perderam os poderes de gestão sobre a empresa, razão pela qual entendem não ser possível exigir novos aportes financeiros enquanto permanecem afastados da administração.

Além disso, o Consórcio afirma que continuará colaborando com o procedimento administrativo instaurado pela Prefeitura e que apresentará sua defesa pelas vias legais.

Impasse segue sem definição

As declarações do interventor e a resposta do Consórcio evidenciam o aumento da tensão em torno da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande.

Enquanto a administração municipal sustenta que há indícios de decisões capazes de comprometer financeiramente a continuidade do serviço, os empresários afirmam que atuaram dentro das regras do contrato de concessão e negam qualquer prática destinada a dificultar os trabalhos da intervenção.

O caso deverá seguir sendo analisado tanto no âmbito administrativo quanto, eventualmente, no Judiciário, caso o Município formalize as medidas anunciadas pela equipe interventora.