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Quem assume? A tarifa aumenta? Haverá demissões? Veja o que acontece após a venda do Guaicurus

Intervenção continua, tarifa permanece congelada, Prefeitura ainda precisa autorizar a operação e a nova empresa terá de cumprir uma série de exigências antes de assumir o sistema.

O anúncio da venda das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade despertou uma série de dúvidas entre os usuários do transporte coletivo de Campo Grande.

A empresa de Goiás já assumiu?

A tarifa vai aumentar?

Os ônibus serão trocados imediatamente?

Os motoristas poderão ser demitidos?

A intervenção termina agora?

Na prática, a resposta para a maior parte dessas perguntas é a mesma: ainda não.

Embora o contrato entre os grupos privados tenha sido firmado no último dia 18 de julho e comunicado oficialmente à Prefeitura nesta terça-feira (21), a negociação ainda depende de autorização do município para produzir efeitos na concessão pública.

O O Contribuinte reuniu as principais perguntas e respostas sobre o futuro do transporte coletivo da Capital.

A HP Mobilidade já assumiu o transporte coletivo?

Não.

A empresa assinou um contrato de compra e venda das empresas que integram o Consórcio Guaicurus, mas a transferência depende da anuência da Prefeitura de Campo Grande.

Enquanto essa autorização não for concedida, a operação continua sob administração da equipe interventora nomeada pelo município.

A Prefeitura pode impedir a venda?

Pode.

Como o transporte coletivo é prestado por meio de concessão pública, qualquer mudança no controle das empresas precisa ser aprovada pelo poder concedente.

A prefeita Adriane Lopes afirmou que a autorização somente será concedida caso a HP Mobilidade apresente um plano concreto de melhorias para o sistema.

Entre as exigências estão:

renovação da frota;

instalação de ar-condicionado;

reforma dos terminais;

melhoria da qualidade do serviço;

cumprimento integral do contrato.

Sem isso, a Prefeitura poderá não autorizar a transferência.

A intervenção acaba agora?

Também não.

O processo de intervenção permanece normalmente.

Ele foi decretado por até 180 dias e continua produzindo efeitos.

Durante esse período, os interventores seguem administrando o sistema, realizando auditorias e levantando informações financeiras, operacionais e contratuais.

A prefeita admitiu que a intervenção poderá terminar antes do prazo apenas se a nova empresa apresentar rapidamente uma proposta considerada viável.

Caso contrário, o procedimento continua até sua conclusão.

A tarifa vai aumentar?

Segundo Adriane Lopes, não.

A prefeita garantiu que não haverá reajuste da passagem durante o período de intervenção.

Ela explicou que o município ainda não conhece o custo real da operação, pois as auditorias continuam em andamento.

Somente após a conclusão dos levantamentos técnicos será possível discutir eventual revisão tarifária.

Até lá, o valor pago pelos passageiros permanece inalterado.

Os ônibus serão trocados imediatamente?

Não.

Primeiro, a HP Mobilidade precisará apresentar um cronograma de investimentos.

Somente depois da aprovação da Prefeitura é que poderá iniciar a renovação da frota.

A administração municipal já informou que pretende cobrar a substituição dos 235 ônibus que, segundo o contrato, deveriam ter sido renovados pelo Consórcio Guaicurus.

O que a nova empresa terá de fazer?

Caso receba autorização para assumir o sistema, a HP Mobilidade deverá cumprir uma série de obrigações previstas no contrato de concessão.

Entre elas:

renovar a frota;

instalar ar-condicionado;

reformar os terminais;

melhorar a manutenção dos veículos;

aumentar a qualidade operacional;

reduzir atrasos;

diminuir quebras durante as viagens;

cumprir os índices contratuais.

Segundo a prefeita, Campo Grande já sabe exatamente quais mudanças espera da nova operadora.

O contrato muda?

Não.

Caso a venda seja aprovada, a HP Mobilidade assumirá o contrato atualmente em vigor.

A concessão foi assinada em 2012 e permanece válida até 2032.

Ou seja, a empresa compradora herda tanto os direitos quanto todas as obrigações previstas originalmente.

Os funcionários serão demitidos?

Neste momento, não.

Segundo Adriane Lopes, não existe qualquer discussão sobre demissões durante a intervenção.

Os salários continuam sendo pagos normalmente e a operação segue funcionando.

Se futuramente a HP Mobilidade assumir definitivamente as empresas, a legislação trabalhista determina a sucessão dos contratos de trabalho.

Isso significa que motoristas, mecânicos e demais empregados mantêm seus direitos.

Eventuais mudanças posteriores dependerão exclusivamente da política administrativa da nova controladora e da legislação trabalhista.

Os ônibus continuam circulando normalmente?

Sim.

Não haverá paralisação do transporte coletivo por causa da venda.

As linhas continuam operando normalmente sob administração dos interventores.

A Prefeitura também informou que não existe previsão de greve ou interrupção dos serviços.

O maior desafio começa agora

O anúncio da venda encerra uma etapa importante da crise enfrentada pelo transporte coletivo de Campo Grande, mas está longe de representar a solução definitiva.

A partir de agora, toda a expectativa recai sobre a capacidade da futura operadora de transformar promessas em resultados concretos.

A população continuará cobrando aquilo que espera há anos: ônibus novos, viagens mais seguras, maior pontualidade, conforto para os passageiros e terminais em melhores condições.

A mudança de controle só será considerada bem-sucedida se essas melhorias deixarem o papel e passarem a fazer parte da rotina de quem depende diariamente do transporte coletivo na Capital.