O governo federal continuará apostando no diálogo para tentar reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar da estratégia de negociação, o Brasil não pretende abrir mão da possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, caso considere necessário proteger os interesses nacionais.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (24) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que afirmou que a eventual adoção de medidas em resposta às restrições comerciais dependerá da evolução das negociações entre os dois países.
Segundo o ministro, a prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é buscar uma solução diplomática capaz de afastar a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros, além de ampliar a lista de mercadorias isentas da tarifa adicional de 12,5%, anunciada pelo governo norte-americano. Entre os itens atualmente preservados estão produtos como carne bovina e café, considerados estratégicos para o mercado consumidor dos EUA.
Márcio Elias Rosa destacou que renunciar previamente ao uso da Lei da Reciprocidade significaria abrir mão de um instrumento criado justamente para proteger a economia brasileira. Conforme o ministro, o governo seguirá privilegiando a negociação, mas manterá todos os mecanismos legais disponíveis para defender os setores produtivos nacionais, caso as conversas não avancem.
Outro ponto ressaltado pelo ministro foi que o Brasil mantém compromissos internacionais de combate ao trabalho forçado, uma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para parte das novas restrições comerciais. Segundo ele, o país possui mecanismos de fiscalização e acolhimento às vítimas, além de incluir cláusulas específicas sobre o tema em seus acordos internacionais.
Enquanto busca uma solução diplomática, o governo também prepara medidas para reduzir os impactos das novas tarifas sobre empresas brasileiras. O plano de apoio aos setores afetados, denominado Brasil Soberano 3, já está estruturado e deverá atender os segmentos atingidos pelas medidas norte-americanas, com regulamentações que ainda serão detalhadas pelo Executivo nos próximos dias.