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André Mendonça autoriza investigação da PF sobre Lulinha; filho de Lula está morando em Madri

Polícia Federal apura se o filho do presidente utilizou proximidade com o governo para favorecer interesses privados; defesa nega irregularidades.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito para que a Polícia Federal investigue Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

A decisão atende a um pedido da Polícia Federal para desmembrar as investigações e aprofundar a apuração sobre uma suposta atuação de Lulinha em favor de interesses privados junto a órgãos do governo federal.

Segundo os investigadores, há elementos que justificam a instauração do inquérito para verificar se o filho do presidente utilizou sua proximidade com integrantes do governo para favorecer negociações envolvendo o mercado de cannabis medicinal e empresas ligadas ao chamado “Careca do INSS”. A investigação busca confirmar ou afastar essas suspeitas.

Lulinha está morando na Espanha

A nova etapa da investigação ocorre enquanto Lulinha reside em Madri, na Espanha.

Conforme informações divulgadas anteriormente, o filho do presidente mudou-se para a capital espanhola, onde foi contratado por uma empresa para trabalhar presencialmente. A expectativa é de que permaneça no país europeu até depois do término do atual mandato presidencial, retornando ao Brasil somente após 2026.

Madri é um dos principais centros econômicos da Europa e passou a ser a residência do empresário, que é formado em Biologia, mas atua há anos no setor de tecnologia.

Histórico de investigações

O nome de Lulinha voltou ao centro do debate político por já ter sido alvo de outras investigações ao longo dos últimos anos.

Durante o primeiro mandato de Lula, sua rápida ascensão empresarial chamou atenção após a Gamecorp, empresa da qual era sócio, receber um aporte milionário da Oi/Telemar. O caso foi alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal.

Em 2019, o MPF denunciou Lulinha e outras dez pessoas por suposto recebimento de vantagens indevidas da Oi entre 2004 e 2016. Segundo os procuradores à época, contratos considerados fictícios teriam sido utilizados para repasses milionários, incluindo pagamentos relacionados ao projeto denominado “Portal da Bíblia”. A defesa sempre contestou as acusações.

O que a PF pretende investigar

Com a autorização do ministro André Mendonça, a Polícia Federal poderá aprofundar as diligências para esclarecer pontos como:

se Lulinha atuou para favorecer interesses privados junto ao governo federal;

se houve eventual prática de tráfico de influência em negociações envolvendo órgãos públicos;

se existiu vantagem indevida decorrente de sua proximidade com integrantes do governo;

qual foi sua eventual participação em tratativas envolvendo empresas ligadas ao mercado de cannabis medicinal;

se há elementos que caracterizem eventual prática de corrupção ou outros crimes.

A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e sustenta que ele jamais utilizou sua condição de filho do presidente para obter vantagens ou influenciar decisões da administração pública.

A autorização do STF não representa condenação nem reconhecimento de culpa. A abertura do inquérito tem como finalidade permitir que a Polícia Federal reúna provas para confirmar ou afastar as suspeitas apresentadas ao Supremo Tribunal Federal.