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Tereza Cristina diz “sim” a Flávio Bolsonaro e encaminha chapa da direita para 2026

Escolha ainda depende formalmente da União Progressista, mas interlocutores ouvidos pelo portal afirmam que o prestígio político de Tereza deve afastar qualquer resistência interna.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ligou para Flávio Bolsonaro (PL) e comunicou que aceita integrar como candidata a vice-presidente a chapa liderada pelo senador na disputa pelo Palácio do Planalto.

A informação foi apurada com exclusividade pelo O Contribuinte junto a interlocutores que acompanham as negociações desde o início da tarde desta quinta-feira. Embora a composição ainda dependa de procedimentos partidários, o entendimento nos bastidores é de que o principal obstáculo político foi superado com o aceite pessoal de Tereza.

Durante a conversa, a senadora apresentou condições para confirmar sua participação no projeto presidencial. Uma delas seria a garantia de maior protagonismo feminino em um eventual governo, com ampliação da presença de mulheres na Esplanada dos Ministérios.

Segundo fontes ouvidas pelo portal, Tereza teria defendido uma participação feminina superior à registrada na atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A condição foi recebida positivamente por Flávio, que concordou com os pontos apresentados pela senadora.

Com isso, o acordo político entre os dois está encaminhado. A formalização, entretanto, ainda precisa passar pelo crivo da União Progressista, federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas, partido ao qual Tereza Cristina é filiada.

Federação deve aprovar nome de Tereza

Apesar de setores da federação defenderem a neutralidade na disputa presidencial, a apuração do O Contribuinte aponta que o nome de Tereza Cristina deverá ser aprovado sem grandes restrições.

A saída construída internamente deverá conciliar os diferentes interesses existentes na União Progressista. A tendência é que a federação autorize Tereza a compor a chapa de Flávio Bolsonaro, mas preserve a liberdade dos filiados e dirigentes que preferirem não participar diretamente da campanha presidencial.

Na prática, a federação poderá aprovar a candidatura de Tereza sem obrigar todas as suas lideranças regionais a aderirem ao palanque de Flávio.

Essa solução permitiria que integrantes do União Brasil e do Progressistas mantivessem a neutralidade em estados nos quais uma aliança nacional com o PL pudesse provocar dificuldades eleitorais.

Ainda assim, conforme apuração do portal, essas particularidades não deverão impedir a aprovação do nome de Tereza.

Prestígio dentro da federação

A senadora possui peso suficiente para conduzir a negociação dentro do Progressistas e da própria federação. Além de ocupar uma das cadeiras do Senado, Tereza Cristina é uma das principais lideranças nacionais do agronegócio e mantém boa interlocução com dirigentes partidários, governadores, parlamentares e representantes do setor produtivo.

Sua participação na chapa também interessa à federação por colocar o grupo partidário no centro da disputa nacional, mesmo que parte de seus integrantes opte pela neutralidade.

A avaliação de aliados é de que impedir Tereza de disputar a Vice-Presidência poderia gerar desgaste interno e fazer a União Progressista perder protagonismo em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

Por isso, fontes que acompanham as articulações afirmam que a federação deverá encontrar uma fórmula política para aprovar a composição e, simultaneamente, liberar aqueles que não desejarem assumir posição na eleição presidencial.

Aliados de Flávio comemoram

O aceite de Tereza Cristina foi recebido com entusiasmo por aliados de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, a avaliação é de que a senadora acrescenta experiência administrativa, capacidade de diálogo e credibilidade junto ao setor produtivo.

Ela também amplia a representatividade feminina da chapa e reduz o discurso de que uma candidatura ligada ao bolsonarismo teria dificuldades para conversar com o centro político.

Ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, Tereza construiu uma relação próxima com o ex-presidente e permaneceu politicamente alinhada ao grupo após deixar o ministério.

Seu perfil, porém, é considerado mais moderado do que o de outros nomes ligados diretamente ao bolsonarismo. Essa característica é vista como um ativo para Flávio, especialmente na tentativa de ampliar alianças e conquistar eleitores que não integram o núcleo mais ideológico da direita.

Senadora mais votada da história de MS

Tereza Cristina foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul em 2022 com 829.149 votos, tornando-se a candidata ao Senado mais votada da história do Estado.

Antes disso, exerceu dois mandatos como deputada federal. Também comandou a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo de Mato Grosso do Sul e ganhou projeção nacional durante sua atuação na Câmara dos Deputados.

Em 2018, foi escolhida por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Permaneceu no cargo durante a maior parte do governo e se consolidou como uma das ministras mais influentes da gestão.

À frente da pasta, fortaleceu a interlocução do governo com o agronegócio e participou de negociações para ampliação de mercados internacionais para os produtos brasileiros.

Atualmente, Tereza ocupa a vice-presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária, uma das maiores bancadas temáticas do Congresso Nacional, com aproximadamente 330 deputados e senadores.

Força política e eleitoral

A eventual chapa Flávio Bolsonaro–Tereza Cristina reunirá duas forças políticas complementares.

Flávio carrega o sobrenome Bolsonaro, a fidelidade do eleitorado do ex-presidente e a estrutura nacional do PL. Tereza acrescenta sua experiência administrativa, o apoio de setores do agronegócio e a interlocução com partidos do centro e da centro-direita.

Em Mato Grosso do Sul, a presença da senadora na chapa deverá provocar uma mobilização regional significativa. Além de ter sido eleita com votação recorde, Tereza mantém relação próxima com prefeitos, produtores rurais, empresários e lideranças políticas de praticamente todas as regiões do Estado.

A composição também poderá transformar Mato Grosso do Sul em um dos principais centros políticos da campanha presidencial.

Apesar do avanço das conversas, a assessoria da senadora vinha adotando publicamente uma posição cautelosa. Em manifestação anterior, afirmou que “qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”.

Nos bastidores, entretanto, a decisão pessoal de Tereza já foi comunicada a Flávio Bolsonaro. Agora, o próximo passo é transformar o entendimento entre os dois em uma composição oficialmente aprovada pelas legendas.