Pré-candidata do PL cobra que a senadora apresente provas, identifique os supostos envolvidos e esclareça se denunciou os fatos às autoridades.
A pré-candidata a deputada estadual pelo PL, Vivi Tobias, anunciou na manhã desta sexta-feira (31) que levou ao Ministério Público as declarações feitas pela senadora Soraya Thronicke durante a convenção do PT em Mato Grosso do Sul.
A iniciativa ocorre após Soraya afirmar, no palanque da Federação Brasil da Esperança, que teria presenciado corrupção, falta de transparência, perseguição, descaso e outras condutas durante o período em que esteve politicamente ligada ao bolsonarismo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Vivi questionou a gravidade das afirmações e cobrou que a senadora apresente provas ou esclareça publicamente a quem se referia.
“Eu vim ao Ministério Público fazer uma denúncia para que ele se manifeste sobre essas acusações sérias que a Soraya Thronicke fez.”
A fala de maior repercussão de Soraya ocorreu quando a senadora declarou:
“Eu vi o descaso, eu vi a corrupção, a falta de transparência, a perseguição.”
Durante o discurso, porém, Soraya não apresentou nomes, datas, documentos ou episódios específicos que permitissem identificar qual suposto ato de corrupção teria presenciado, quem estaria envolvido ou se o caso foi encaminhado às autoridades competentes.
Foi justamente esse ponto que motivou a reação de Vivi Tobias.
“Agora, Soraya, só tem duas saídas: quando você acusa, você tem que provar ou você tem que assumir que mentiu.”
Vivi cobra identificação dos fatos
Ao comentar a manifestação da senadora, Vivi também questionou outras declarações feitas no palanque petista, incluindo uma referência vaga a uma pessoa que, segundo Soraya, “prefere matar o próprio filho”.
A pré-candidata do PL cobrou que a parlamentar identifique a quem se referia e apresente elementos que sustentem a acusação.
“Disse que viu corrupção, disse que ‘aquele prefere matar o próprio filho’. Quem é aquele, Soraya? Não é mulher o suficiente para mencionar o nome?”
A cobrança de Vivi parte do entendimento de que uma declaração sobre corrupção, feita por uma senadora da República que afirma ter testemunhado os fatos, não pode permanecer apenas no campo da retórica eleitoral.
Caso Soraya tenha efetivamente presenciado atos ilícitos, surgem questionamentos objetivos: quais foram os fatos, quem participou, quando ocorreram e quais providências foram tomadas?
Até o momento, conforme o conteúdo do discurso apresentado, essas informações não foram detalhadas.
Discurso foi feito no palanque do PT
Soraya fez as acusações durante a convenção da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, que oficializou Fábio Trad como candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Dona Gilda como vice e Vander Loubet como candidato ao Senado.
Embora seja filiada ao PSB, a senadora participou do principal ato político da esquerda no Estado e procurou se apresentar à militância petista como uma aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no enfrentamento ao bolsonarismo.
Em diversos momentos, repetiu a frase:
“Eu não ouvi falar, eu vi.”
Soraya também afirmou ter sentido “na pele” e “na alma” o que passou a denunciar após romper com Jair Bolsonaro.
O ponto mais simbólico do discurso ocorreu quando ela relatou uma conversa com o ex-deputado federal Juliano Lemos.
Segundo Soraya, ele teria dito:
“Avise o presidente Lula, Soraya. Diga que, se ele quiser acabar com esse extremismo, com esse ódio ou com essa seita, você é o veneno.”
Na sequência, a senadora declarou:
“Eu sou o veneno, porque eu vi.”
A fala foi interpretada como uma tentativa de se apresentar ao campo lulista como alguém que conhece o bolsonarismo por dentro e poderia atuar politicamente contra o grupo que a ajudou a chegar ao Senado em 2018.
Eleita com apoio de Bolsonaro
Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 pelo PSL, partido ao qual Jair Bolsonaro também era filiado naquele momento.
Durante a campanha, Bolsonaro pediu votos para Soraya em Mato Grosso do Sul, e a candidatura da então advogada foi diretamente beneficiada pela onda eleitoral que levou o ex-presidente ao Palácio do Planalto.
Depois de eleita, Soraya rompeu com Bolsonaro e passou a fazer críticas cada vez mais duras ao antigo aliado e ao movimento político que a projetou nacionalmente.
Agora filiada ao PSB, ela busca a reeleição integrada ao campo político do presidente Lula em Mato Grosso do Sul.
Para Vivi Tobias, esse histórico torna ainda mais necessária a apresentação de provas sobre as acusações feitas pela senadora.
“Nós sabemos que a Soraya esteve ao lado de Jair Messias Bolsonaro, foi eleita nas costas dele, mas ela o traiu e agora profere acusações contra a base da direita.”
A expressão representa a avaliação política de Vivi sobre a trajetória da senadora e o rompimento com o grupo que apoiou sua eleição.
Vivi amplia atuação política
A iniciativa junto ao Ministério Público ocorre em um momento de maior exposição política de Vivi Tobias dentro do PL.
Pré-candidata a deputada estadual, ela participou recentemente da convenção nacional do partido, em São Paulo, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.
Durante o evento, Vivi posou ao lado de Flávio e participou das principais agendas do grupo conservador, ampliando sua presença ao lado de lideranças nacionais do partido.
A pré-candidata tem concentrado sua atuação em pautas ligadas à defesa da família, ao conservadorismo e ao enfrentamento de agendas associadas à esquerda.
Ao reagir publicamente às declarações de Soraya e levar o caso ao Ministério Público, Vivi busca ocupar um espaço de protagonismo na defesa do legado de Jair Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.
No encerramento do vídeo, ela reforçou sua posição eleitoral e dirigiu uma crítica direta à senadora:
“Eu sou Vivi Tobias e sou pré-candidata a deputada estadual da direita no PL do Mato Grosso do Sul, e este ano o Mato Grosso do Sul vai demitir você, Soraya Thronicke, porque nós estamos cansados de gente traidora.”