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Caarapó volta ao radar da Operação Gutenberg; cidade já aparecia em diálogo sobre R$ 100 mil revelado pelo Gaeco

Conversas de 2022, negociação milionária, promessa de comissão e novo contrato firmado em 2025 colocam novamente o município no centro da investigação.

A inclusão de Caarapó entre as seis novas prefeituras analisadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) não representa o primeiro capítulo do município na Operação Gutenberg.

Na verdade, Caarapó já aparecia no relatório da investigação anos antes da atual fase da operação.

Conforme documentos obtidos por O Contribuinte, conversas reproduzidas pelo Ministério Público mostram que o município era mencionado por integrantes do grupo investigado ainda em 2022, durante a administração do então prefeito André Nezzi.

Agora, quase quatro anos depois, Caarapó volta ao centro da apuração por causa de um novo contrato firmado com a Editora Avante, desta vez já na gestão da prefeita Professora Lurdes.

O fato chama atenção porque demonstra que, mesmo com a mudança de governo municipal e de grupo político, a relação contratual com a empresa investigada permaneceu.

A conversa sobre Caarapó

Segundo o relatório do Gaeco, uma das conversas ocorreu entre o então coordenador estadual da Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt, e o advogado Gabriel Taquino de Paula.

Durante o diálogo, Gabriel informa que trabalhava para viabilizar um contrato com Caarapó.

Em determinado momento, afirma que a negociação envolveria aproximadamente R$ 2 milhões.

Na sequência, diz que Ed Carlo receberia R$ 100 mil caso o negócio fosse concretizado.

O trecho foi reproduzido pelo Ministério Público como parte do conjunto de mensagens utilizadas para sustentar a denúncia apresentada à Justiça.

Segundo a interpretação do Gaeco, o diálogo integra a linha investigativa sobre a atuação do grupo junto às administrações municipais.

Uma nova gestão, mas a mesma editora

O avanço mais recente da Operação Gutenberg trouxe um novo elemento.

Entre os contratos agora analisados pelo Ministério Público está um firmado pela Prefeitura de Caarapó em 15 de dezembro de 2025, já durante a administração da prefeita Professora Lurdes.

O contrato possui vigência até abril de 2026 e soma R$ 589.392,00.

É justamente esse contrato que integra a nova frente de investigação aberta pelo Gaeco.

Até o momento, o Ministério Público não afirmou que houve irregularidade na contratação nem imputou qualquer crime à atual administração municipal.

A apuração busca verificar como ocorreu o procedimento administrativo, quais documentos fundamentaram a contratação e se o modelo investigado em outros municípios também foi utilizado nesse caso.

O que muda na investigação

A nova etapa demonstra que o foco do Gaeco deixou de ser apenas os contratos já incluídos na denúncia.

Agora, o Ministério Público procura identificar se a atuação da Editora Avante continuou ocorrendo em outros municípios e em períodos posteriores aos fatos inicialmente investigados.

Por isso, a inclusão de Caarapó ganha importância.

O município passa a reunir dois momentos distintos dentro da Operação Gutenberg:

2022, quando aparece em conversas atribuídas aos investigados durante a gestão André Nezzi;

2025, quando celebra novo contrato com a Editora Avante, já sob a administração da prefeita Professora Lurdes.

Essa sequência cronológica deverá ser analisada pela força-tarefa para verificar se existe conexão entre os episódios ou se tratam de fatos independentes.

O que é a Operação Gutenberg?

Deflagrada em julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, movimentou aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos de livros paradidáticos celebrados com prefeituras.

A investigação apura crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.

Até o momento, 17 pessoas se tornaram rés, entre elas empresários, ex-servidores públicos, o ex-coordenador da Regulação Estadual Ed Carlo Britto Burgatt, o advogado Gabriel Taquino de Paula e integrantes da família Jafar, apontada pelo Gaeco como núcleo central da organização.

Todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.