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Mesmo após operação do Gecoc em 2023, empresa ampliou contratos e chegou a quase R$ 100 milhões em Três Lagoas

Investigação aponta que contratos da MS Brasil continuaram crescendo após a Operação Cascalhos de Areia; empresa voltou a ser alvo do Ministério Público na Operação Máquinas de Areia

Um dos aspectos que mais chamam atenção na Operação Máquinas de Areia não está apenas nos mandados de busca ou no valor investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A própria cronologia dos contratos revela um fato que agora passa a integrar o centro das apurações.

Enquanto a Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em junho de 2023, colocava empresas e empresários na mira do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), os contratos da MS Brasil com a Prefeitura de Três Lagoas continuavam em execução e, ao longo dos anos seguintes, cresceram significativamente por meio de aditivos e novos acordos administrativos.

Agora, três anos depois, a mesma empresa voltou a ser alvo da Operação Máquinas de Areia, que investiga contratos e aditivos que, juntos, se aproximam dos R$ 100 milhões.

A investigação começou em Campo Grande

A primeira grande ofensiva do Ministério Público ocorreu em junho de 2023, com a Operação Cascalhos de Areia.

Na ocasião, o Gecoc investigou contratos milionários relacionados à manutenção de vias, locação de caminhões e máquinas pesadas em Campo Grande.

Entre os nomes que passaram a integrar as investigações estavam o empresário André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, o empresário Edcarlos Jesus Silva e empresas como MS Brasil e Engenex.

Segundo o Ministério Público, havia suspeitas de fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

Enquanto a investigação avançava, os contratos também cresceram

Mesmo após a deflagração da operação de 2023, a relação contratual da MS Brasil com a Prefeitura de Três Lagoas continuou.

Dados do Portal da Transparência mostram que os contratos passaram por sucessivos aditivos e também deram lugar a novos acordos.

O primeiro contrato da empresa, firmado em 2018, começou em aproximadamente R$ 2,8 milhões.

Ao ser encerrado, em 2023, já havia alcançado R$ 18,4 milhões, mais de seis vezes o valor inicialmente contratado.

Na sequência, a empresa firmou um novo contrato, inicialmente estimado em R$ 23,7 milhões.

Com os aditivos posteriores, esse acordo alcançou R$ 75,7 milhões, permanecendo vigente durante o período agora analisado pelo Ministério Público.

Três contratos concentram quase R$ 100 milhões

Segundo informações que embasam a investigação, três contratos são considerados estratégicos para compreender o funcionamento do suposto esquema investigado.

Dois deles foram celebrados com a MS Brasil e outro com a Engenex Construções e Serviços.

Somados, esses contratos atingem R$ 98.828.873,18, valor que corresponde à maior parte dos recursos atualmente analisados pelo Ministério Público.

Os investigadores apuram se a execução desses contratos correspondeu aos serviços efetivamente prestados ou se houve pagamentos incompatíveis com a realidade.

O que investiga o Ministério Público

Na Operação Máquinas de Areia, o MPMS sustenta que há indícios de fraude na execução de contratos de locação e fornecimento de caminhões, máquinas e equipamentos pesados, além de serviços de infraestrutura e cascalhamento.

Segundo a nota oficial, foram identificadas evidências de pagamentos por serviços que não corresponderiam ao que efetivamente teria sido executado.

As investigações envolvem suspeitas de fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O que chama atenção na cronologia

Mais do que os valores, o que desperta interesse dos investigadores é a sequência dos acontecimentos.

Em 2023, empresas e empresários passaram a ser investigados na Operação Cascalhos de Areia.

Nos anos seguintes, os contratos em Três Lagoas continuaram em execução, receberam novos aditivos e alcançaram valores ainda maiores.

Agora, em 2026, o mesmo grupo empresarial voltou ao centro de uma nova operação conduzida pelo Gecoc, Gaeco e pela 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas.

A coincidência dos personagens e a evolução dos contratos fazem parte do contexto analisado pelo Ministério Público nesta nova fase das investigações.

Espaço aberto

Até o momento, a Operação Máquinas de Areia permanece em fase de investigação.

O cumprimento dos mandados de busca e apreensão não representa condenação dos envolvidos, e caberá ao Ministério Público analisar o material recolhido para definir os próximos passos da apuração.

O Contribuinte mantém espaço aberto para manifestação das empresas citadas, de seus representantes legais e dos demais envolvidos, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.