Candidato à Presidência endurece discurso contra ministro do STF após ser impedido, ao lado dos irmãos, de visitar Jair Bolsonaro neste Dia dos Pais
Flávio Bolsonaro reagiu duramente neste fim de semana à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a suspensão das visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e impediu um encontro entre pai e filhos justamente neste domingo, 9 de agosto, Dia dos Pais.
Filho do ex-presidente e candidato à Presidência da República, Flávio transformou a negativa do ministro em uma manifestação política direta contra Moraes.
“Moraes proibiu a mim e aos meus irmãos de visitarmos nosso pai justamente no Dia dos Pais. Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos. Isso tem dia e hora para acabar!”, declarou.
A frase coloca mais um capítulo na escalada do confronto político entre a família Bolsonaro e Alexandre de Moraes.
Pedido era para o Dia dos Pais
A defesa de Jair Bolsonaro havia apresentado ao Supremo um pedido para permitir uma visita dos filhos neste domingo.
A solicitação foi protocolada em 5 de agosto e buscava uma autorização diante da proximidade do Dia dos Pais.
A intenção era permitir que Bolsonaro recebesse os filhos durante a data comemorativa.
Alexandre de Moraes, entretanto, não abriu exceção.
Em decisão assinada neste sábado (8), o ministro considerou o pedido prejudicado devido a uma determinação anterior, expedida em 17 de julho, que suspendeu as visitas por 30 dias.
Durante esse período, permanecem permitidas apenas visitas médicas, fisioterapêuticas e de advogados.
Familiares não estão entre as exceções.
Flávio coloca decisão no campo político
A reação de Flávio Bolsonaro não se limitou a lamentar que não poderia encontrar o pai.
O candidato presidencial vinculou diretamente a decisão de Moraes ao que considera uma sequência de restrições contra Jair Bolsonaro.
“Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos”, afirmou.
A declaração mostra que Flávio pretende explorar politicamente o episódio.
Ao encerrar sua manifestação dizendo que “isso tem dia e hora para acabar”, o candidato também envia um recado aos seus apoiadores em meio à disputa presidencial de 2026.
A frase tende a ser interpretada pelo eleitorado bolsonarista como uma promessa de mudança no cenário político e institucional do país.
Dia dos Pais potencializa desgaste
A escolha da data dá uma dimensão ainda maior à reação.
Não se trata de um domingo qualquer.
O pedido foi feito para que Bolsonaro pudesse encontrar os filhos justamente no Dia dos Pais.
Moraes, contudo, entendeu que a suspensão de visitas deveria continuar valendo sem exceção.
Esse contexto passou a ser utilizado pelos filhos do ex-presidente como argumento para demonstrar o que consideram um tratamento excessivamente rigoroso contra Bolsonaro.
O tema também ganhou força nas redes sociais, especialmente entre apoiadores do ex-presidente.
Mais de 1,5 mil detentos recebem “saidão” no DF
A manifestação de Flávio acontece ainda em meio a outro contraste que ganhou repercussão neste fim de semana.
Mais de 1,5 mil detentos do Distrito Federal foram beneficiados pela saída temporária do período do Dia dos Pais.
Os presos deixaram as unidades durante o período previsto para o benefício e devem retornar após o encerramento da saída.
A situação jurídica desses presos é diferente daquela enfrentada por Bolsonaro. No primeiro caso, existe um benefício de saída temporária concedido a presos que atendem aos requisitos legais. No caso do ex-presidente, há uma decisão específica suspendendo visitas.
Politicamente, porém, a comparação ganhou força.
Enquanto mais de mil presos podem deixar temporariamente as unidades penitenciárias, Bolsonaro não recebeu autorização para que os próprios filhos entrassem para encontrá-lo.
“Isso tem dia e hora para acabar”
É justamente a última frase de Flávio Bolsonaro que dá ao episódio uma dimensão eleitoral ainda maior.
O senador não explicou na publicação de que forma ou em qual momento aquilo que critica “vai acabar”.
Dentro do contexto de sua candidatura presidencial, entretanto, a frase funciona como um recado político.
Flávio assume cada vez mais o papel de porta-voz da situação enfrentada pelo pai e conecta o caso diretamente à campanha presidencial.
Se Jair Bolsonaro está impedido de disputar a eleição e cumpre pena, Flávio tenta transformar as decisões que atingem o ex-presidente em combustível para mobilizar o eleitorado de direita.
E a negativa de uma visita no Dia dos Pais oferece ao candidato um elemento de grande apelo emocional.
Embate com Moraes entra definitivamente na campanha
O confronto com Alexandre de Moraes tende a ocupar espaço importante no discurso de Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial.
A declaração deste fim de semana deixa isso ainda mais claro.
Ao dizer que primeiro “tiraram a liberdade” de Bolsonaro e agora querem tirar “até o direito de um pai abraçar seus filhos”, Flávio constrói uma narrativa que vai além da situação jurídica do ex-presidente.
Ele tenta apresentar o caso aos eleitores como uma questão de limite de poder, direitos individuais e tratamento destinado ao principal líder político da direita brasileira.
Neste Dia dos Pais, portanto, a decisão de Moraes não produziu apenas uma consequência familiar.
Ela também colocou mais combustível na corrida presidencial de 2026.