Um novo capítulo envolvendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A Câmara dos Deputados encaminhou à Corte, em maio, o depoimento de um comerciante do Rio de Janeiro que afirma ter tomado conhecimento de uma suposta articulação para produzir uma falsa acusação de estupro de vulnerável contra Gaspar. O relato foi prestado à Polícia Legislativa e posteriormente enviado ao STF porque envolve o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que possui foro por prerrogativa de função.
Segundo o depoimento, uma jovem que trabalhava em um quiosque teria sido recrutada para se apresentar como vítima de um suposto crime cometido por Alfredo Gaspar. O comerciante afirmou ainda que a mulher teria recebido pagamentos para participar da narrativa e apresentou à Polícia Legislativa comprovantes de transferências bancárias.
O depoente também relatou que a jovem utilizaria uma identidade fictícia e que haveria uma estratégia para ampliar posteriormente o desgaste político de Gaspar.
O nome de Lindbergh aparece no relato porque, segundo o comerciante, um homem apontado como articulador da suposta trama teria se apresentado como alguém ligado ao contexto político do deputado petista. O denunciante afirmou ainda acreditar que Lindbergh teria conhecimento das reuniões relacionadas ao caso. Essas afirmações, entretanto, fazem parte do depoimento e não representam uma conclusão das autoridades sobre a existência da suposta armação ou sobre a participação do parlamentar.
A Polícia Legislativa encaminhou o material à Corregedoria da Câmara, e a Mesa Diretora decidiu remeter o caso ao Supremo. O processo está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que também acompanha o pedido de abertura de investigação envolvendo Alfredo Gaspar. A Procuradoria-Geral da República ainda deve se manifestar.
Lindbergh Farias nega qualquer envolvimento. Em declaração divulgada após a repercussão do depoimento, o deputado classificou o relato como inventado e questionou a origem da denúncia.
Alfredo Gaspar, por sua vez, nega as acusações de estupro e sustenta que foi alvo de uma denúncia sem fundamento. O parlamentar chegou a realizar exame de DNA em abril e sua defesa política pede que o caso seja arquivado.
O episódio ganha dimensão ainda maior por ocorrer às vésperas da campanha eleitoral e depois de Gaspar ser escolhido para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Por enquanto, portanto, o que existe é uma disputa de versões e procedimentos ainda em análise pelas autoridades — e não uma conclusão definitiva sobre a existência da suposta armação.