O pedido de habeas corpus do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) teve o julgamento adiado e agora será analisado no próximo dia 20 de agosto. O ex-parlamentar permanece preso preventivamente em Mato Grosso do Sul e também aguarda a apreciação de outro pedido de liberdade no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a defesa, o recurso busca revogar o decreto de prisão preventiva expedido pelo juiz da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, José Henrique Káster Franco. Atualmente, Razuk está custodiado no Centro de Triagem Anísio Lima.
O ex-deputado foi preso no último dia 2 de agosto, na Bolívia, e transferido ao Brasil no dia seguinte. De acordo com seus advogados, ele deixou o país antes da expedição do mandado de prisão e só teria tomado conhecimento da decisão judicial por meio da imprensa.
Neno Razuk era considerado foragido desde 8 de julho, quando a prisão preventiva foi decretada após a perda do mandato parlamentar. A defesa sustenta que ele não se apresentou imediatamente porque ainda aguardava o julgamento de recursos na Justiça Eleitoral.
Após o indeferimento desses recursos e da liminar de habeas corpus, os advogados afirmam que o ex-parlamentar decidiu se apresentar espontaneamente às autoridades, manifestando essa intenção nos autos do processo.
Neno Razuk foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. A defesa afirma que pretende demonstrar à Justiça que não existem mais os requisitos legais para a manutenção da prisão preventiva.
Antes da captura, o nome do ex-deputado estava prestes a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. A autorização judicial para o procedimento havia sido concedida, mas o cadastro internacional ainda não havia sido concluído quando ele foi localizado pelas autoridades bolivianas.
A prisão faz parte dos desdobramentos da Operação Successione, deflagrada pelo Gaeco em dezembro de 2023. A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional, roubos e outras infrações.
Outros integrantes da família Razuk também são investigados. Roberto Razuk, pai do ex-deputado, cumpre prisão domiciliar, enquanto os irmãos Rafael e Jorge Razuk permanecem presos no âmbito da mesma operação.
Agora, a expectativa da defesa é que o pedido de habeas corpus seja apreciado no próximo dia 20, quando a Justiça decidirá se Neno Razuk responderá ao processo em liberdade ou continuará preso preventivamente.