Governador participará dos encontros promovidos pelo Midiamax e pela TV Morena; candidatos bem posicionados em outros estados já se ausentaram de debates eleitorais
O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul, confirmou presença em dois debates eleitorais que serão realizados durante o primeiro turno da campanha de 2026.
Riedel participará dos confrontos promovidos pelo Midiamax e pela TV Morena, ambos previstos para setembro.
A decisão coloca o governador em uma estratégia diferente da adotada por alguns candidatos que aparecem entre os favoritos em outros estados e até mesmo na disputa pela Presidência da República.
Nos primeiros debates estaduais realizados pela TV Bandeirantes, nomes bem posicionados nas pesquisas decidiram não comparecer.
Entre eles estão Sérgio Moro (PL), no Paraná, Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, e Daniel Vilela (MDB), em Goiás.
No cenário nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também já declarou que não pretende comparecer aos debates da campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro (PL), igualmente apontado entre os principais nomes da disputa presidencial, também sinalizou uma participação seletiva nos confrontos da campanha.
Em Mato Grosso do Sul, Riedel optou por confirmar previamente sua participação em dois dos principais debates previstos para o primeiro turno.
Midiamax e TV Morena
Em nota divulgada pela assessoria, a equipe de Riedel confirmou que o governador participará dos debates promovidos pelo Midiamax e pela TV Morena.
A escolha levou em consideração, segundo a assessoria, o alcance dos veículos e o formato das transmissões.
No caso do Midiamax, o sinal será disponibilizado por streaming, permitindo a retransmissão do debate e ampliando seu alcance em diferentes plataformas.
Já a TV Morena possui abrangência estadual e integra a programação da Rede Globo em Mato Grosso do Sul.
A assessoria informou que Riedel precisará conciliar os compromissos eleitorais com as responsabilidades do cargo de governador.
“Além disso, a participação em debates, bem como em sabatinas e rodadas de entrevistas, demandam tempo significativo de preparação. Diante do curto período de campanha, torna-se necessário estabelecer, de forma responsável, os compromissos dos quais será possível participar”, informou a equipe.
A campanha terá duração limitada, enquanto Riedel continuará exercendo normalmente a função de governador durante o período eleitoral.
Lula também admite selecionar debates
A mesma discussão ocorre na eleição presidencial.
Lula afirmou recentemente que não pretende participar automaticamente de todos os debates realizados durante a campanha.
“Eu estou vendo o quadro eleitoral, não sei quantos candidatos vão ter ainda. Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem”, afirmou.
O presidente disse que pretende avaliar previamente o formato e o nível dos encontros.
“Eu quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que eu vou responder sacanagem? Por que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?”, declarou.
A posição demonstra que a campanha presidencial também poderá ter debates sem a presença de todos os principais concorrentes.
Flávio Bolsonaro, outro nome colocado entre os favoritos da disputa nacional, também indicou que sua participação será avaliada de acordo com os primeiros encontros e seus respectivos formatos.
Por que favoritos costumam evitar debates?
A ausência de candidatos que lideram pesquisas costuma fazer parte de um cálculo eleitoral.
Quem está na frente possui menos necessidade de ganhar exposição e mais a perder em um confronto direto.
Os adversários, por outro lado, normalmente utilizam os debates como oportunidade para confrontar o favorito, apresentar críticas e tentar mudar a dinâmica da campanha.
Por isso, algumas candidaturas priorizam entrevistas, agendas próprias e eventos nos quais conseguem controlar melhor a comunicação.
A estratégia também depende do estágio da campanha.
É comum que candidatos reduzam a participação em debates no início e compareçam aos encontros de maior audiência mais próximos da votação.
Riedel escolhe exposição
A decisão de participar do Midiamax e da TV Morena mostra que a campanha de Riedel decidiu aceitar a exposição dos confrontos durante o primeiro turno.
Por disputar a reeleição, o governador deverá ser questionado não apenas sobre propostas para os próximos quatro anos, mas também sobre os resultados e problemas de sua própria administração.
Saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico, povos indígenas, regionalização dos serviços públicos e situação fiscal do Estado tendem a aparecer entre os principais assuntos.
Riedel já declarou que pretende conduzir a campanha apresentando aquilo que considera entregas de seu primeiro mandato e reconhecendo o que ainda precisa avançar.
Os debates oferecerão aos adversários a oportunidade de confrontar diretamente esses resultados.
Dois encontros antes das urnas
Com a confirmação, os eleitores de Mato Grosso do Sul terão pelo menos duas oportunidades de acompanhar Eduardo Riedel em confronto direto com os demais candidatos ao Governo.
Os debates deverão ocorrer em setembro, já durante a fase oficial da campanha.
Além da discussão sobre propostas, os encontros poderão se tornar momentos importantes para confrontar os candidatos sobre alianças, resultados administrativos e posicionamentos nacionais.
Riedel chega à disputa apoiado por uma aliança de nove partidos e com Barbosinha novamente como candidato a vice-governador.
Do outro lado estarão candidatos que tentarão questionar os quatro anos de administração do atual governador e apresentar alternativas para o Estado.