O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta quarta-feira (12) que uma operação realizada durante a madrugada atingiu uma importante base naval russa em Novorossiysk, na região de Krasnodar, no litoral do Mar Negro. Segundo o líder ucraniano, a ofensiva envolveu mísseis antinavio, drones aéreos a jato e drones marítimos.
Zelenski classificou a ação como uma operação “única” e afirmou que os ataques atingiram sistemas de defesa aérea, píeres e outras estruturas portuárias da base. Para Kiev, Novorossiysk é atualmente um dos principais redutos da Frota Russa do Mar Negro.
Desde o início da invasão russa, há mais de quatro anos, a Ucrânia passou a investir fortemente no desenvolvimento de sistemas não tripulados e vem utilizando drones e mísseis para atingir embarcações, instalações militares e estruturas logísticas russas.
A estratégia produziu mudanças importantes no equilíbrio naval da região. Segundo autoridades ucranianas, os ataques contra navios de guerra e petroleiros ajudaram a reduzir a capacidade de atuação da Marinha russa no Mar Negro, que no início da guerra tinha ampla vantagem sobre as forças ucranianas.
Novorossiysk ganhou importância justamente nesse contexto. Com os ataques ucranianos contra posições russas na Crimeia, parte da frota de Moscou passou a utilizar a estrutura portuária da cidade como uma das principais áreas de apoio e proteção.
Além da dimensão militar, a região também possui enorme importância econômica para a Rússia. Novorossiysk abriga um importante terminal internacional de petróleo. Nas proximidades da cidade está o complexo de transbordo de petróleo Grushovaya, um dos principais pontos de movimentação de petróleo e derivados no sul do país.
A relevância energética da área chegou a provocar manifestações do governo dos Estados Unidos. Em fevereiro, o Departamento de Estado americano demonstrou preocupação com ataques ucranianos contra Novorossiysk, afirmando que as ações poderiam afetar interesses petrolíferos americanos relacionados ao Cazaquistão.
Enquanto Kiev afirma ter atingido estruturas estratégicas, as autoridades russas apresentaram números expressivos sobre a dimensão da ofensiva.
O governador da região de Krasnodar, Veniamin Kondratyev, afirmou que centenas de drones ucranianos atacaram durante a noite diferentes pontos da região, incluindo Novorossiysk, Anapa, Gelendzhik e o distrito de Temryuk.
Já o Ministério da Defesa da Rússia informou que os sistemas de defesa aérea do país derrubaram mais de 500 drones durante a ofensiva.
Apesar da alegação russa de que grande parte dos drones foi interceptada, autoridades locais confirmaram mortes e danos. Em Novorossiysk, uma criança de oito anos morreu. Em Temryuk, uma pessoa que ficou ferida após a própria residência ser atingida morreu posteriormente no hospital.
Segundo Kondratyev, outras 12 pessoas ficaram feridas durante os ataques.
O governador também informou que destroços de drones abatidos caíram sobre quatro instalações industriais e 21 edifícios residenciais. Até o momento, não foram detalhados todos os danos provocados nas estruturas atingidas.
A ofensiva ocorre em um momento de intensificação da guerra e de novas tentativas diplomáticas para buscar uma saída negociada para o conflito.
Zelenski afirmou, citando relatórios da inteligência ucraniana, que o presidente russo, Vladimir Putin, pretende realizar uma nova mobilização de várias centenas de milhares de soldados até o fim deste ano.
Segundo os mesmos relatórios mencionados pelo presidente ucraniano, a Rússia também estaria ampliando a produção de mísseis balísticos e de drones a jato, armas consideradas particularmente difíceis de interceptar pelos sistemas de defesa aérea ucranianos.
As declarações de Kiev ainda não foram confirmadas de forma independente em todos os seus detalhes.
O ataque a Novorossiysk, porém, reforça a estratégia ucraniana de utilizar armas de longo alcance e sistemas não tripulados para atingir instalações estratégicas russas muito além das áreas diretamente envolvidas nos combates terrestres.
A localização da base, sua importância para a Frota do Mar Negro e a proximidade com importantes instalações de exportação de petróleo tornam a ofensiva especialmente significativa tanto do ponto de vista militar quanto econômico.