Gestor de Ivinhema declara apoio a Vander Loubet e diz que já participou de três campanhas do petista, apesar de apoiar Flávio Bolsonaro à Presidência.
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), conhecido nacionalmente como o “prefeito mais louco do Brasil”, anunciou publicamente os candidatos que pretende apoiar nas eleições de 2026 e chamou atenção por uma combinação pouco convencional em meio à polarização nacional.
Filiado ao partido de Jair e Flávio Bolsonaro, Ferro declarou nesta quarta-feira, 12, apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República, mas anunciou que um de seus dois votos para o Senado será destinado ao deputado federal Vander Loubet, do PT.
“Meu segundo apoio é para Vander Loubet. Todo mundo sabe da minha proximidade com o Vander, já fiz três campanhas para ele”, declarou o prefeito.
Juliano justificou a decisão afirmando que o parlamentar petista foi parceiro de Ivinhema durante seus seis anos à frente da Prefeitura.
“Foi um grande companheiro que nós tivemos aqui na Câmara dos Deputados Federal”, afirmou.
O prefeito acrescentou que pretende apoiar aqueles que, segundo ele, contribuíram com sua administração.
“Quero ajudar quem ajudou nós construir uma Ivinhema melhor, quem ajudou a nós manter o nosso mandato no patamar que se encontra, na evolução que nós colocamos em Ivinhema”, disse.
Reinaldo é o primeiro voto
Para a primeira vaga ao Senado, entretanto, Juliano permanece no campo político de sua legenda e anunciou apoio a Reinaldo Azambuja.
O prefeito fez fortes elogios ao ex-governador.
“Esse cara incrível, puta de um político, que fez um trabalho brilhante como governador do Estado, fazendo sistema municipalismo, ajudando 79 municípios”, declarou.
Segundo Ferro, Reinaldo terá condições de repetir no Senado a relação construída com as prefeituras durante seus mandatos no Governo de Mato Grosso do Sul.
Assim, a dobradinha anunciada pelo prefeito para o Senado será:
Reinaldo Azambuja e Vander Loubet.
Um candidato do campo político apoiado pelo PL e outro do PT.
Flávio Bolsonaro também terá o apoio de Juliano
A escolha de Vander chama ainda mais atenção porque Juliano não anunciou afastamento político do bolsonarismo.
Ao contrário.
Na mesma manifestação em que pediu voto para o petista, o prefeito afirmou que fará campanha para Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
“Também estarei fazendo a campanha do nosso futuro presidente Flávio Bolsonaro, rumo a um país melhor”, afirmou.
Para o Governo de Mato Grosso do Sul, Ferro declarou apoio à reeleição de Eduardo Riedel.
Também anunciou apoio a Zé Teixeira e Mara Caseiro para os cargos proporcionais.
O palanque eleitoral montado pelo prefeito, portanto, atravessa diferentes partidos e campos políticos.
PL vive discussão nacional sobre fidelidade
O posicionamento ocorre justamente quando o Partido Liberal enfrenta discussões internas sobre prefeitos e filiados que decidem apoiar candidatos adversários das chapas defendidas pela legenda.
No vizinho Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) articula junto ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, medidas partidárias contra prefeitos liberais que aderiram ao projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Entre os nomes mencionados nessa disputa estão os prefeitos de Cuiabá, Abilio Brunini; Rondonópolis, Cláudio Ferreira; Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia; e Primavera do Leste, Sérgio Machnic.
O episódio demonstra que alianças locais de filiados do PL com candidaturas adversárias podem gerar questionamentos internos e eventualmente chegar às instâncias disciplinares partidárias.
Juliano já fez três campanhas para Vander
Apesar da aparente contradição partidária, o apoio ao petista não nasceu nesta eleição.
O próprio Juliano fez questão de ressaltar que sua relação política com Vander Loubet antecede a disputa de 2026.
“Já fiz três campanhas para ele”, declarou.
A justificativa apresentada pelo prefeito é pragmática: segundo ele, Vander ajudou Ivinhema durante os anos em que Ferro esteve no comando da Prefeitura.
A declaração coloca novamente Juliano em uma posição peculiar dentro da política sul-mato-grossense: filiado ao PL, apoiador de Flávio Bolsonaro e, simultaneamente, cabo eleitoral de um dos principais nomes do PT no Estado.
Outro capítulo recente: gestão de Juliano entrou no radar da Gutenberg
A nova controvérsia política surge enquanto a administração de Juliano Ferro também aparece em outro assunto que vem sendo acompanhado pelo O Contribuinte: a Operação Gutenberg.
A Prefeitura de Ivinhema contratou a Editora Avante em 2022, durante o primeiro mandato de Ferro.
O contrato inicial, firmado em 14 de julho de 2022, foi de R$ 586.862,50.
Apenas 22 dias depois, em 5 de agosto, foi assinado um aditivo de R$ 287.267,50.
O negócio alcançou, assim, R$ 874.130.
A Editora Avante está no centro da Operação Gutenberg, investigação do Gaeco sobre um suposto esquema que teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos de livros paradidáticos com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Dinheiro de Ivinhema apareceu na reconstrução financeira
O contrato ganhou ainda mais relevância depois que o Gaeco passou a reconstruir o caminho dos pagamentos efetuados pelas prefeituras.
Segundo documentos da investigação já revelados pelo O Contribuinte, em agosto de 2022, depois de pagamento realizado por Ivinhema à Editora Avante, Felipe Paroschi Jafar e Rhayane Souza Fanaia aparecem tratando de dados bancários para uma transferência destinada à Gráfica CGR.
Para os investigadores, a sequência das movimentações é relevante para compreender como os recursos recebidos pela Avante eram posteriormente distribuídos.
Os documentos analisados até aqui, entretanto, não apresentam conversa direta de Juliano Ferro com os integrantes do grupo nesses trechos.
Juliano já se manifestou sobre a Gutenberg
O prefeito confirmou anteriormente que Ivinhema adquiriu os livros da Editora Avante, mas negou qualquer irregularidade.
Segundo Ferro, ocorreu uma única aquisição em 2022 e os materiais foram efetivamente entregues ao município.
“Todo o material foi entregue perfeitamente”, afirmou.
Ele também declarou que a Prefeitura forneceria ao Gaeco os documentos solicitados e negou qualquer relação entre a compra dos livros e a obtenção de vagas, exames ou procedimentos de saúde.
A inclusão de contratos de uma prefeitura em uma investigação não significa, por si só, responsabilidade criminal do prefeito ou de servidores municipais.
Agora, enquanto a Gutenberg continua produzindo novos capítulos, Juliano Ferro protagoniza outra controvérsia, desta vez estritamente política: o prefeito do PL que fará campanha para Flávio Bolsonaro também está pedindo voto para Vander Loubet, do PT.