Marco Aurélio de Carvalho esteve no Palácio da Alvorada após presidente cancelar compromisso; Procuradoria depois defendeu envio de investigações à primeira instância.
Uma sequência de acontecimentos envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado de seu filho e a Procuradoria-Geral da República deverá aumentar a pressão política em torno das investigações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na véspera da divulgação da manifestação da PGR pedindo que duas investigações envolvendo o empresário deixassem o Supremo Tribunal Federal, Lula recebeu no Palácio da Alvorada o advogado Marco Aurélio de Carvalho.
Segundo as informações divulgadas, o encontro durou mais de três horas.
A reunião ocorreu depois de o presidente cancelar de última hora uma agenda na posse realizada no Superior Tribunal de Justiça.
Marco Aurélio de Carvalho é advogado de Lulinha, integrante do grupo Prerrogativas e mantém atuação política próxima ao campo governista. Também participa da articulação da campanha petista em São Paulo.
No dia seguinte ao encontro, veio a informação de que a PGR havia se manifestado perante o ministro André Mendonça defendendo o envio das investigações contra Lulinha para a primeira instância.
O fundamento apresentado é jurídico: Fábio Luís não possui foro privilegiado e, segundo a manifestação relatada pela defesa, não haveria nos procedimentos pessoas com prerrogativa capaz de justificar a permanência dos inquéritos no Supremo.
A proximidade temporal entre os acontecimentos inevitavelmente alimentou questionamentos políticos nas redes sociais e entre críticos do governo.
Até o momento, entretanto, não há elemento público que demonstre que a reunião entre Lula e Marco Aurélio tenha relação com a manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Essa distinção é fundamental.
A reunião existiu.
A manifestação da PGR também.
E os episódios ocorreram em sequência.
A eventual existência de uma ligação entre eles, porém, exigiria elementos que até agora não foram apresentados publicamente.
O caso ganha ainda mais peso porque Lulinha é alvo de três inquéritos no STF, envolvendo suspeitas que passaram a ser apuradas após informações encontradas pela Polícia Federal durante os desdobramentos da Operação Sem Desconto.
Com isso, o encontro no Alvorada e a posição posterior da PGR tendem a manter o tema no centro do debate político.