(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

TSE lança parceria com Google para combater deepfakes nas eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google firmaram uma parceria para ampliar a proteção de candidatos contra o uso indevido de inteligência artificial nas eleições de 2026.

A iniciativa busca combater principalmente os chamados deepfakes, conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial capazes de reproduzir a aparência de uma pessoa e fazê-la parecer estar em situações ou dizendo coisas que nunca aconteceram.

A ferramenta apresentada pelo Google é o Likeness ID, recurso do YouTube capaz de identificar vídeos gerados por inteligência artificial que utilizam a imagem de uma pessoa.

Como funciona 

Para utilizar o sistema, o candidato precisa cadastrar sua identidade no YouTube Studio e passar por um processo de verificação biométrica.

Depois do cadastro, a tecnologia passa a procurar no YouTube conteúdos que possam utilizar indevidamente a imagem daquela pessoa.

Quando um possível uso irregular é identificado, o usuário recebe uma notificação e pode solicitar a remoção do material caso ele viole as regras da plataforma.

A ferramenta amplia a capacidade de candidatos e campanhas de acompanhar a utilização de sua imagem no ambiente digital durante o período eleitoral.

Preocupação com desinformação 

A parceria ocorre em um momento de forte preocupação da Justiça Eleitoral com o avanço da inteligência artificial e seu potencial de interferência nas eleições.

Vídeos, imagens e áudios produzidos por IA podem apresentar elevado grau de realismo, dificultando para o eleitor distinguir uma gravação verdadeira de uma montagem.

O problema ganha ainda mais importância durante uma campanha eleitoral, quando informações falsas podem se espalhar rapidamente pelas redes sociais e influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou a importância da cooperação entre o poder público e as empresas de tecnologia para preservar direitos fundamentais e fortalecer a confiança no processo eleitoral.

Google diz que quer proteger a integridade das eleições 

O presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, afirmou que a empresa mantém compromisso com a integridade do processo eleitoral e com o desenvolvimento de ferramentas capazes de enfrentar conteúdos enganosos.

A empresa também chama atenção para ataques direcionados a mulheres no ambiente digital.

A ferramenta, neste momento, tem foco no YouTube, permitindo identificar conteúdos que reproduzam a aparência de candidatos sem autorização.

Regras do TSE para IA

O uso de deepfakes já é proibido pela Justiça Eleitoral.

As regras do TSE estabelecem restrições ao uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial capazes de alterar ou substituir imagem ou voz de pessoas.

Também existe a exigência de identificação de conteúdos eleitorais produzidos por IA em situações previstas pela regulamentação.

Além disso, as plataformas digitais estão sujeitas a obrigações de prevenção e enfrentamento à desinformação durante o processo eleitoral.

Outras medidas contra deepfakes

A parceria com o Google faz parte de um conjunto maior de iniciativas adotadas pelo TSE para enfrentar o uso fraudulento da inteligência artificial.

No início de agosto, o tribunal também firmou acordo com a empresa ElevenLabs para combater deepfakes de voz.

A parceria prevê a criação de uma lista de vozes protegidas, impedindo a clonagem não autorizada de vozes de candidatos e autoridades eleitorais, além de mecanismos para rastrear áudios suspeitos produzidos pela plataforma.

A preocupação da Justiça Eleitoral é evitar que a tecnologia seja utilizada para fabricar declarações falsas, manipular a opinião pública e comprometer a liberdade de escolha do eleitor.

Eleições 2026

Com a aproximação das eleições gerais de 2026, o combate aos conteúdos falsos produzidos por inteligência artificial se tornou um dos principais desafios para a Justiça Eleitoral e para as plataformas digitais.

A expectativa é que ferramentas de identificação, mecanismos de denúncia e regras específicas ajudem a reduzir a circulação de conteúdos manipulados durante a campanha.

O objetivo declarado pelo TSE é preservar a integridade das informações que chegam aos eleitores e impedir que conteúdos artificialmente produzidos sejam utilizados para enganar ou manipular o resultado das eleições.