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Crédito rural em dificuldade dispara e preocupa produtores de Mato Grosso do Sul

O crédito rural em Mato Grosso do Sul entrou em uma zona de atenção. Levantamento da equipe econômica da Aprosoja/MS, com base em dados do Banco Central, mostra que a parcela dos financiamentos classificados como “situação problemática” praticamente dobrou nos últimos 18 meses.

Em janeiro de 2025, esses créditos representavam 13,9% do total contratado no Estado. Em junho de 2026, o percentual chegou a 27,6%. Na prática, mais de um quarto do crédito rural passou a apresentar algum grau de dificuldade.

O alerta chama atenção principalmente porque o volume total de crédito rural captado em Mato Grosso do Sul permaneceu relativamente estável no período. Ou seja, o problema não está necessariamente na quantidade de dinheiro tomada pelos produtores, mas na capacidade de pagamento dessas operações.

Entre os financiamentos considerados problemáticos estão créditos renegociados, inadimplentes, prorrogados e em atraso. O maior avanço ocorreu justamente nas operações em atraso, cuja participação saltou de 4,9% para 12,6% entre 2025 e 2026.

Os créditos inadimplentes também aumentaram, com alta de 1,5 ponto percentual no período. Ao mesmo tempo, modalidades que representam uma tentativa de reorganizar as dívidas, como renegociações e prorrogações, perderam participação proporcional.

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, a deterioração da qualidade do crédito é um sinal de alerta para todo o setor.

O cenário pode se tornar ainda mais complicado para quem já enfrenta dificuldades financeiras. Com o aumento dos atrasos, produtores podem carregar as dívidas por mais tempo e pagar mais caro por elas.

E o problema pode atingir até quem ainda está em dia. Com o aumento do risco de inadimplência, bancos, financeiras e cooperativas podem endurecer as condições de financiamento e cobrar juros maiores.

Na prática, o produtor que precisar de crédito para manter a atividade ou reorganizar dívidas poderá encontrar custos mais altos ou precisar de prazos maiores para pagamento. Isso aumenta o custo total da operação e pode pressionar ainda mais as margens do setor.

A recomendação da Aprosoja/MS é que produtores que ainda estão em dia avaliem alternativas para reduzir o custo do crédito e evitem deixar o endividamento avançar.

Para quem já enfrenta dificuldades, a orientação é procurar as instituições financeiras o quanto antes para negociar ou prorrogar as dívidas, antes que os atrasos se agravem.

O cenário mostra que o campo sul-mato-grossense enfrenta um problema que vai além da produção: o custo e a qualidade do crédito começam a pesar cada vez mais sobre quem precisa financiar a própria atividade.

Para a Aprosoja/MS, quanto mais cedo o produtor buscar uma renegociação, menor tende a ser o custo final da dívida. A entidade também defende políticas públicas de orientação financeira para evitar que novos produtores cheguem a situações mais graves de endividamento.