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Camila ataca Nikolas, mas ficou em silêncio sobre Moraes, Lulinha, Vorcaro e o roubo dos aposentados

Camila também não cobrou Lula pelo encontro fora da agenda com Vorcaro nem criticou o sigilo de 100 anos mantido pelo governo sobre as visitas recebidas pelo banqueiro na prisão

A deputada federal Camila Jara (PT-MS) foi às redes sociais nesta quinta-feira, 3 de setembro, para ironizar Nikolas Ferreira (PL-MG) após o ICL Notícias divulgar áudios de uma conversa entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.

“Hoje não tem vídeo de fundo preto. Vazou mais um áudio do Vorcaro e descobrimos que ele tem mais um amigo da extrema direita”, afirmou Camila.

A petista também declarou:

“Segundo Vorcaro, todos os voos de Nikolas Ferreira foram pagos por ele.”

Na sequência, Camila usou o sofrimento dos aposentados para reforçar o ataque:

“Só para te lembrar, o dinheiro do Banco Master tirava dinheiro dos aposentados, dos nossos velhinhos, do fundo de vários municípios, passando até por Campo Grande.”

Camila ainda destacou que Nikolas chamou Vorcaro de “Dani” e, segundo o ICL, de “lindão”, além de ter pedido ajuda para encaminhar uma questão relacionada a um ativo minerário.

O problema não está no direito da deputada de cobrar explicações. O problema está em seu silêncio seletivo.

Cadê o vídeo sobre Lulinha?

Ao mencionar o dinheiro dos aposentados, Camila demonstra conhecer a gravidade das investigações relacionadas ao INSS. Mesmo assim, não apresentou nas redes sociais a mesma indignação quando a base do governo Lula trabalhou para derrubar o relatório final da CPMI do INSS.

O parecer do relator Alfredo Gaspar recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Daniel Vorcaro.

Em março de 2026, o relatório foi rejeitado por 19 votos a 12, com participação decisiva de parlamentares governistas. A CPMI terminou sem aprovar um relatório final.

Camila não integrava o colegiado e, portanto, não participou pessoalmente daquela votação. Seu partido e a base do governo que ela defende, entretanto, atuaram contra o relatório que recomendava o indiciamento de Lulinha.

Não houve vídeo irônico. Não houve cobrança pública com a mesma intensidade. Não houve pergunta sobre por que aliados de Lula impediram a aprovação do documento.

A ligação de Lulinha com a lobista

Camila também não foi às redes cobrar explicações sobre as mensagens de Roberta Luchsinger, lobista investigada e amiga de Lulinha.

Em conversas encontradas pela Polícia Federal, Roberta afirmou que ela e o filho do presidente “eram uma coisa só” nos negócios. Também foram identificadas mensagens sobre uma suposta sociedade com Lulinha e Fernando Bittar para tratar de projetos relacionados ao governo federal.

A relação é investigada pela PF. Roberta e Lulinha negam irregularidades.

A lobista também aparece como possível elo entre o filho do presidente e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos principais personagens do esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas.

Mais uma vez, Camila não gravou vídeo perguntando a Lulinha por que uma lobista investigada dizia ser “uma coisa só” com ele. Também não questionou com a mesma disposição a possível ligação entre o filho de seu líder político e o “Careca do INSS”.

Lula recebeu Vorcaro fora da agenda

O silêncio se repetiu diante da revelação de que Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024.

A reunião durou aproximadamente uma hora e meia e não constou da agenda oficial do presidente. O encontro teria tratado da situação do Banco Master e das possibilidades de venda da instituição.

Camila, que agora considera a proximidade com Vorcaro suficiente para atacar Nikolas, não cobrou Lula publicamente pelo encontro reservado.

Não perguntou por que o presidente recebeu um banqueiro para tratar dos interesses de uma instituição privada. Não questionou por que a reunião ficou fora da agenda. Tampouco exigiu a divulgação completa do que foi discutido.

Governo manteve sigilo sobre visitas a Vorcaro

O Ministério da Justiça do governo Lula também manteve sigilo de 100 anos sobre os registros de visitas recebidas por Vorcaro enquanto esteve detido em instalações da Polícia Federal.

A justificativa apresentada foi a proteção da intimidade e da vida privada do banqueiro e de seus visitantes. A decisão gerou críticas por impedir que a sociedade saiba quais políticos, advogados, empresários ou autoridades procuraram Vorcaro durante o período em que ele tentava negociar uma delação premiada.

Camila também não apareceu nas redes para cobrar transparência do governo que defende.

Para Nikolas, indignação; para os aliados, silêncio

A própria Polícia Federal concluiu, no trecho do relatório dedicado às mensagens de Nikolas, que não foram encontrados indícios suficientes de crime, negociação de valores, promessa de vantagem ou contrapartida. A PF não recomendou a abertura de inquérito contra o deputado.

Isso não impede cobranças sobre os voos ou o pedido envolvendo o ativo minerário. Mas mostra que Camila escolheu explorar politicamente um episódio no qual a análise policial disponível não apontou conduta criminosa.

Enquanto isso, as suspeitas sobre Lulinha, as mensagens de Roberta Luchsinger, a atuação governista na CPMI, o encontro fora da agenda entre Lula e Vorcaro e o sigilo de 100 anos não receberam da deputada o mesmo tratamento.

Camila perguntou onde estava o vídeo de fundo preto de Nikolas.

A pergunta que fica é outra: onde estavam os vídeos de Camila quando o nome de Lulinha apareceu nas investigações e quando a base de Lula derrubou o relatório da CPMI do INSS?