Documento encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos afirma que o governo brasileiro “falhou” em confrontar as duas facções e cobra medidas urgentes para impedir sua expansão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma dura crítica à atuação do governo brasileiro no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em documento encaminhado ao Congresso norte-americano, Trump afirma que o Brasil “falhou” em confrontar as organizações criminosas e cobra a adoção urgente de medidas mais agressivas.
No trecho dedicado ao Brasil, Trump contrapõe a atuação brasileira à de outros governos do Hemisfério Ocidental.
“Embora muitos governos no Hemisfério Ocidental estejam tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho”, diz o texto.
O documento vai além e afirma que as duas organizações transformaram o Brasil em um importante ponto para o fluxo internacional de cocaína.
Segundo Trump, PCC e CV representam uma ameaça que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
“Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirma o documento.
Pressão direta sobre o governo brasileiro
A manifestação chama atenção principalmente pelo nível da cobrança feita diretamente ao governo do Brasil. Não se trata apenas de uma referência às organizações criminosas brasileiras: o texto atribui expressamente ao governo brasileiro uma falha no enfrentamento às facções.
Embora o documento use a expressão “Governo do Brasil”, e não mencione nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no trecho reproduzido, a declaração ocorre durante sua administração.
O texto também coloca a questão brasileira dentro de uma discussão mais ampla dos Estados Unidos sobre narcotráfico e segurança internacional.
PCC e CV no centro da crítica
Trump menciona nominalmente as duas maiores organizações criminosas brasileiras e sustenta que sua atuação possui consequências internacionais.
A afirmação de que PCC e Comando Vermelho seriam “organizações terroristas estrangeiras designadas” é particularmente relevante e precisa ser contextualizada à luz da classificação jurídica vigente nos Estados Unidos na data do documento. A expressão utilizada no texto reproduzido é “designated foreign terrorist organizations”.
O documento apresentado também trata da Nicarágua, de Mianmar (Burma) e do Afeganistão, com críticas às respectivas políticas de combate ao narcotráfico.
Em relação à Nicarágua, por exemplo, o governo Trump acusa o regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo de não tomar medidas suficientes contra o tráfico de drogas e menciona suposta participação de integrantes do regime nesse mercado.
Documento será submetido ao Congresso
Na parte final exibida do documento, Trump determina que a decisão e o memorando de justificativa correspondente sejam encaminhados ao Congresso norte-americano, nos termos da legislação dos Estados Unidos, e publicados no Federal Register, o diário oficial do governo federal norte-americano.
A manifestação abre uma nova frente de pressão política e diplomática sobre o governo brasileiro, agora diretamente relacionada ao combate ao crime organizado e ao narcotráfico internacional.