Governador respondeu a questionamentos sobre segurança e educação e recebeu o primeiro direito de resposta após críticas de João Henrique Catan; Saúde, Pantanal e funcionalismo também dominaram a rodada.
Se Eduardo Riedel (PP) já havia aparecido como um dos principais alvos no começo do Debate Midiamax, o segundo bloco manteve o governador no centro dos principais confrontos da noite.
Com temas previamente definidos, os oito candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul passaram por discussões sobre segurança pública, professores, população indígena, Pantanal, incentivos fiscais, funcionalismo, Saúde e corrupção.
A rodada também registrou o primeiro direito de resposta da noite, concedido a Riedel depois de declarações de João Henrique Catan (Novo).
O Portal O Contribuinte acompanha o Debate Midiamax em tempo real e publica os principais acontecimentos. Nesta terça-feira, o portal fará ainda um resumão com os melhores momentos do encontro.
Lucien cobra segurança; Riedel apresenta investimentos
Lucien Rezende (PSOL) abriu uma das rodadas questionando Riedel sobre valorização das forças policiais e segurança pública.
O governador destacou a extensa faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e afirmou que sua gestão realizou investimentos permanentes superiores a R$ 600 milhões no setor, incluindo viaturas e equipamentos.
Lucien respondeu defendendo reforço na inteligência policial, uso de câmeras nos uniformes, mais delegacias especializadas e políticas específicas de enfrentamento ao feminicídio.
Riedel citou mudanças implementadas após casos de violência contra mulheres e afirmou que o combate ao feminicídio também passa pela prevenção e pelo trabalho nas comunidades e escolas.
Segundo o governador, aproximadamente 20 mil pessoas em mais de 50 municípios teriam participado de ações de capacitação.
Trad cobra promessa feita aos professores
Na Educação, Fábio Trad (PT) direcionou uma pergunta a Riedel sobre a equiparação salarial entre professores contratados e concursados.
Trad afirmou que o governador havia firmado compromisso com a Fetems e cobrou o cumprimento da promessa.
Riedel respondeu apontando limites legais e fiscais e voltou a sustentar que Mato Grosso do Sul possui uma das maiores remunerações para professores efetivos.
Também citou a reforma de mais de 270 escolas e concurso para aproximadamente 2 mil vagas.
Trad rebateu dizendo que, caso não fosse possível cumprir o compromisso, ele não deveria ter sido assumido.
O candidato do PT prometeu ampliar o ensino integral e buscar colocar Mato Grosso do Sul entre os melhores estados do país no Ideb do ensino médio.
Riedel respondeu dizendo que parte dessas medidas já está sendo implantada pelo atual governo.
Questão indígena reaparece
Daniel Lemes (PCO) levou para Fábio Trad um questionamento sobre habitação e infraestrutura para comunidades indígenas e regiões do Pantanal.
Trad criticou problemas de infraestrutura em aldeias, citou especificamente a entrada da aldeia Tey Kue, em Caarapó, e afirmou que pretende tratar as diferentes etnias como sujeitos de direitos.
Ao mesmo tempo, defendeu respeito ao direito de propriedade e disse que eventuais conflitos fundiários precisam ser enfrentados dentro da legislação e com participação da União.
Daniel ampliou as críticas ao atual governo e falou sobre falta de água potável e estrutura em comunidades indígenas.
Uma fala provoca risadas
Um dos momentos mais leves da rodada aconteceu durante uma manifestação de Daniel Lemes.
Ao criticar o atual governador, Daniel mencionou a possibilidade de Eduardo Riedel permanecer mais quatro anos no cargo.
A formulação provocou risadas na plateia, já que partiu justamente de um adversário que criticava a reeleição do governador.
Pantanal coloca Catan e Delcídio frente a frente
João Henrique Catan escolheu Delcídio Amaral (PRD) para discutir meio ambiente.
Delcídio defendeu políticas mais consistentes contra queimadas e mencionou projetos ligados ao sequestro de carbono.
Catan criticou a condução ambiental da atual administração e a Lei do Pantanal, além de defender maior presença da pecuária no bioma.
Ele afirmou que aumentar o rebanho no Pantanal faria parte de sua estratégia ambiental.
Delcídio respondeu lembrando a perda de participação de Mato Grosso do Sul na pecuária em relação ao vizinho Mato Grosso e criticou governos que, segundo ele, privilegiaram grupos econômicos.
Incentivos fiscais e servidores
Delcídio também questionou Renato Gomes (DC) sobre incentivos concedidos a grandes empresas.
Renato criticou a carga tributária estadual e defendeu redução de custos para energia, gás, cesta básica e combustíveis.
Delcídio respondeu dizendo que a situação fiscal do Estado precisa ser considerada e também citou problemas relacionados ao fundo previdenciário e à Cassems.
Em outra rodada, Riedel questionou Delcídio sobre como conceder aumentos ao funcionalismo respeitando os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Delcídio indicou que revisaria incentivos fiscais concedidos a grandes empresas.
Riedel rebateu afirmando que boa parte dos benefícios tributários chega justamente a pequenos negócios e produtores e acusou adversários de difundirem informações sem conhecer a composição dos incentivos.
Corrupção volta ao centro
O assunto que mais elevou a temperatura do segundo bloco foi novamente corrupção.
Lucien perguntou a Fábio Trad de que maneira sua eventual administração enfrentaria desvios de recursos públicos.
Trad respondeu criticando a atuação preventiva da atual gestão.
Na sequência, Renato Gomes questionou João Henrique Catan sobre a Saúde e mencionou episódios recentes envolvendo pessoas ligadas ao setor.
Catan utilizou sua resposta para enumerar operações policiais e investigações que, segundo ele, atingiram servidores, ex-secretários, diretores ou pessoas ligadas à administração estadual.
Foi justamente essa manifestação que provocou o primeiro direito de resposta da noite.
Primeiro direito de resposta
A comissão jurídica responsável pelo debate acolheu o pedido apresentado pela equipe de Eduardo Riedel.
O governador recebeu 30 segundos e usou o espaço para rebater as acusações.
Riedel afirmou que um dos episódios mencionados durante o confronto e que havia ganhado repercussão nacional teria sido identificado a partir da atuação de órgãos do próprio Estado.
Segundo a versão apresentada pelo governador no debate, o caso foi encaminhado à auditoria da Saúde e à Polícia Civil, resultando em prisões e exonerações.
A manifestação representou a principal resposta política de Riedel às acusações de corrupção levantadas pelos adversários nos dois primeiros blocos.
Com metade do debate transcorrida, uma característica já ficou evidente: embora temas diferentes tenham sido sorteados, a administração de Eduardo Riedel continuou funcionando como referência constante para os adversários, seja para cobrança de resultados, seja para questionamentos sobre decisões tomadas durante o atual mandato.
O O Contribuinte segue acompanhando o confronto em tempo real.
Nesta terça-feira, o portal fará um resumão do debate, recuperando os melhores momentos, as propostas apresentadas e os episódios que mais repercutiram na noite.