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Condenado a ressarcir R$ 7,3 milhões, Ângelo publica colinha sem Flávio Bolsonaro e Contar

Ex-prefeito de Três Lagoas enfrenta discussão eleitoral após condenação por improbidade e, na reta final, não inclui os dois candidatos em material divulgado aos seguidores.

A série de colinhas eleitorais acompanhada pelo O Contribuinte ganhou nesta reta final um caso diferente dos anteriores: desta vez, foi o próprio candidato quem publicou o material que deixa Flávio Bolsonaro e Capitão Contar de fora.

O ex-prefeito de Três Lagoas e candidato a deputado estadual Ângelo Guerreiro (PSDB) publicou em seu perfil oficial uma colinha para orientar seus eleitores na votação de domingo.

No primeiro card, Guerreiro aparece segurando o material e convidando: “Arraste e confira a colinha dos guerreiros”.

Ao arrastar, aparece a composição completa escolhida para ser apresentada aos seguidores.

Para deputada federal, Mara Caseiro, 2200.

Para deputado estadual, Ângelo Guerreiro, 45055.

Para a primeira vaga ao Senado, Reinaldo Azambuja, 222.

Para governador, Eduardo Riedel, 11.

Mas dois campos aparecem sem qualquer número ou candidato:

Senador 2: em branco.

Presidente: em branco.

Portanto, no material publicado pelo próprio Ângelo Guerreiro, Flávio Bolsonaro não é indicado para presidente e Capitão Contar não é indicado para a segunda vaga ao Senado.

Não há outro candidato ocupando esses espaços. Ângelo simplesmente deixa as duas escolhas abertas ao eleitor.

Desta vez, a colinha está no perfil do próprio candidato

Esse é o principal diferencial do novo capítulo da série publicada pelo O Contribuinte.

Nos últimos dias, o portal mostrou colinhas que chegaram à reportagem ou estavam sendo distribuídas aos eleitores sem Flávio e Contar.

No caso de Ângelo Guerreiro, não existe discussão sobre uma folhinha encontrada na rua e atribuída à campanha.

O material foi publicado no próprio perfil oficial e verificado do candidato.

Além disso, não se trata de uma imagem em que os espaços eleitorais tenham sido cortados. A colinha apresenta claramente toda a ordem de votação, inclusive os campos identificados como “Senador 2” e “Presidente”.

Eles estão lá.

Mas estão vazios.

Flávio já mandou recado sobre quem deixa o 22 fora da colinha

A publicação ganha ainda mais repercussão por ocorrer poucos dias depois de Flávio Bolsonaro fazer uma cobrança pública justamente sobre as colinhas eleitorais.

Em declaração já noticiada pelo O Contribuinte, Flávio afirmou:

“Se tiver candidato aí que não tá botando o número 22 pra presidente na colinha, não vote nele.”

A fala ocorreu no contexto em que Flávio defendia a necessidade de eleger uma base política alinhada ao seu projeto para a Presidência, envolvendo Câmara dos Deputados, Senado, governos e assembleias legislativas.

A posição manifestada por Flávio foi clara: na visão do candidato presidencial, quem integra ou se apresenta ao eleitor dentro desse campo político deve também pedir votos para o 22.

E a cobrança foi feita em uma articulação eleitoral que, em Mato Grosso do Sul, envolve nomes como Eduardo Riedel, Tereza Cristina e Capitão Contar.

Na semana passada, Flávio participou de uma transmissão ao lado de Riedel, Contar e Tereza, na qual foram discutidos os desafios de Mato Grosso do Sul, desenvolvimento, agronegócio e segurança.

Riedel, inclusive, aparece na colinha publicada por Ângelo.

Flávio não.

Contar também é deixado sem indicação

A situação se repete na eleição para o Senado.

Como Mato Grosso do Sul escolhe dois senadores em 2026, a própria arte reserva dois campos para o cargo.

Ângelo indica Reinaldo Azambuja, 222, na primeira escolha.

Imediatamente abaixo aparece:

“SENADOR 2:”

Seguido por três quadrados vazios.

O nome de Capitão Contar não aparece.

Assim, a composição publicada pelo ex-prefeito acompanha parte da aliança eleitoral estadual, mas não apresenta ao eleitor todos os nomes apoiados pelas lideranças que têm aparecido juntas nesta reta final.

Ângelo tenta voltar à Assembleia em meio a batalha judicial

A publicação ocorre também em um momento delicado para Ângelo Guerreiro.

O ex-prefeito tenta retornar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, onde já exerceu mandato, mas chegou à reta final da eleição enfrentando as repercussões de uma condenação por improbidade administrativa.

O TJMS manteve por unanimidade a condenação relacionada a contratos emergenciais para coleta de lixo durante sua administração em Três Lagoas.

Entre as sanções descritas na decisão está o ressarcimento de aproximadamente R$ 7,3 milhões aos cofres públicos, além de multa civil e suspensão dos direitos políticos pelo período estabelecido judicialmente.

A defesa de Guerreiro contesta a condenação, sustenta a existência de nulidades e anunciou a apresentação dos recursos cabíveis.

Por isso, a condenação não significa automaticamente que Guerreiro esteja inelegível neste momento.

Seu registro eleitoral permanece deferido.

Condenação já chegou à Procuradoria Eleitoral

A discussão, entretanto, não ficou restrita à Justiça comum.

Em 22 de setembro, o desembargador federal Carlos Muta, relator do processo relacionado ao registro de candidatura, determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral para análise de notícia de possível inelegibilidade superveniente.

A Procuradoria poderá avaliar se a condenação produz alguma consequência eleitoral e se existe fundamento para adoção das medidas previstas na legislação.

Isso significa que mesmo uma eventual eleição de Guerreiro não necessariamente encerraria a discussão jurídica. Dependendo das decisões futuras e do enquadramento legal, questões relacionadas à diplomação também podem ser discutidas.

Não há, contudo, decisão definitiva declarando Guerreiro inelegível, e a defesa continua recorrendo.

R$ 7,3 milhões de um lado; colinha sem presidente do outro

Ângelo chega, portanto, aos últimos dias de campanha com duas situações distintas em evidência.

Na Justiça, enfrenta os desdobramentos de uma condenação mantida pelo TJMS que prevê ressarcimento milionário e cuja eventual repercussão eleitoral chegou à Procuradoria.

Na campanha, tenta retornar à Assembleia e acaba de publicar sua própria orientação de voto.

E é justamente nesse segundo ponto que aparece o novo fato revelado pela série acompanhada pelo O Contribuinte.

Não é necessário interpretar qual seria o voto pessoal de Guerreiro. Também não é possível concluir apenas pela arte que ele apoia adversários de Flávio ou Contar.

A constatação documental é mais simples:

na colinha que Ângelo Guerreiro decidiu publicar aos seus próprios seguidores, há indicação para Mara Caseiro, Ângelo, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel. Para Capitão Contar e Flávio Bolsonaro, não há indicação.