Vereadora denunciou a péssima qualidade das obras na capital, relembrou a fuga de secretários para não prestar contas e exigiu respeito ao dinheiro do pagador de impostos.
A vereadora Ana Portela (PL) subiu o tom contra a Prefeitura de Campo Grande nesta semana e confirmou oficialmente sua assinatura para a abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa-Buraco. Durante sessão na Câmara Municipal, a parlamentar protagonizou uma cena emblemática de fiscalização: levou para a tribuna um pedaço de asfalto recém-colocado na Avenida Presidente Vargas que esfarelou em suas mãos, provando o desperdício escancarado de dinheiro público.
Indignada com a inércia do Executivo e a péssima qualidade do serviço prestado na capital, Ana Portela foi contundente ao defender o pagador de impostos e exigir o avanço das investigações.
“Olha a qualidade disso aqui. Você pega e esfarela. E isso aqui é dinheiro do cidadão campo-grandense. Só devem estar achando que a população é, desculpa o termo, otária e trouxa. Chega! Essa Casa precisa dar uma resposta urgente para a população, e eu não vou colocar meu nome junto com esse descaso”, cravou a vereadora.

Histórico de omissão e respostas vazias
A parlamentar fez questão de lembrar que a falta de transparência da gestão municipal é um padrão. No ano passado, Ana Portela foi a primeira vereadora a apresentar um requerimento formal para forçar a ida da então secretária municipal de Finanças, Márcia Okama, à Câmara.
O objetivo da convocação era claro: detalhar, centavo por centavo, para onde estavam indo os milhões de reais drenados pelas operações de tapa-buraco. A tentativa de fiscalização, no entanto, esbarrou no cinismo da gestão. A ex-secretária entregou apenas respostas vazias, consolidando a tática da prefeitura de se esquivar e não entregar qualquer planejamento.
“No primeiro dia que eu entrei aqui, todos os vereadores fizeram uma reunião com o secretário de Obras. Foi a coisa mais linda, foto e promessas sobre o planejamento dos tapa-buracos. Sabe quando isso aconteceu? Nunca. Trocam o secretário de Obras e acham que resolve. Eu avisei aqui dentro dessa Casa que iam continuar não fazendo. É uma gestão fadada ao fracasso”, disparou Ana.
Linha dura e experiência em CPI
O endosso de Ana Portela à CPI do Tapa-Buraco traz um peso extra e um verdadeiro alerta vermelho para o Executivo. A vereadora não é novata em investigações complexas. Ela foi a relatora da CPI do Transporte Público, onde assumiu uma postura implacável: mergulhou nos contratos, expôs movimentações financeiras suspeitas e desmascarou a narrativa do consórcio. Na época, Ana comprovou com dados técnicos que as empresas tiveram, sim, lucro durante o período em que alegavam prejuízo para tentar arrancar mais subsídios dos cofres públicos.

Medida extrema e investigação
Com esse histórico de quem sabe achar dinheiro escondido, a vereadora avalia que o instrumento investigativo tornou-se a única saída diante de uma prefeitura que debocha do Legislativo. Ana encerrou seu discurso com um questionamento direto e ácido sobre o destino dos recursos milionários.
“Eu não tenho como não assinar uma CPI, tendo em vista que peguei [esse asfalto] na Presidente Vargas de um buraco tampado há um mês. Fica a pergunta: para onde é que está indo o recurso do tapa-buraco? Provavelmente para o buraco de alguém. Porque para o tapa-buraco da nossa cidade, não é. Que a população saiba que tem todo o apoio dessa vereadora para investigar isso”, finalizou.
Com a assinatura e a bagagem de quem já desmontou caixas-pretas na capital, Ana Portela reforça sua marca de independência e rigor inegociável com o dinheiro de quem acorda cedo e paga impostos em Campo Grande.