Juliano Ferro (PL) e Júlio Buguelo (PSD) contrariaram a chapa defendida por Reinaldo Azambuja no primeiro turno; mesmo com apoio dos prefeitos, Vander ficou em terceiro nas duas cidades
A presença dos prefeitos de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), e de Glória de Dourados, Júlio Buguelo (PSD), chamou atenção durante a reunião de lideranças políticas realizada na noite de quarta-feira (14), no QG do senador eleito Capitão Contar (PL), em Campo Grande. Os dois gestores haviam declarado apoio ao deputado federal Vander Loubet (PT) na disputa ao Senado, contrariando a composição eleitoral defendida pelo grupo político liderado por Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.
Apesar do empenho dos prefeitos na campanha do petista, Vander acabou derrotado nas duas cidades administradas por seus aliados. Em Ivinhema e Glória de Dourados, os candidatos do PL, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, conquistaram as duas primeiras posições na votação para o Senado.
Onze dias após o primeiro turno, os prefeitos participaram do encontro que reuniu o governador reeleito Eduardo Riedel (PP), os senadores eleitos Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL), além de deputados, vereadores, dirigentes partidários e lideranças municipais.
A reunião marcou o lançamento da Missão Flávio 22, iniciativa de mobilização para o segundo turno presidencial, com adesivaços simultâneos programados para sábado (17), reuniões e outras atividades nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
A participação de Juliano Ferro e Júlio Buguelo ganhou destaque pelo histórico recente dos dois gestores. Embora vinculados ao grupo político governista, ambos decidiram apoiar Vander Loubet para uma das vagas ao Senado, em vez de seguir integralmente a chapa formada por Reinaldo e Contar.
Com a conclusão da apuração em 4 de outubro, a escolha dos prefeitos não se traduziu em vitória do candidato petista nem mesmo nos respectivos municípios.
Em Ivinhema, Contar recebeu 8.949 votos e Vander ficou com apenas 3.368
Em Ivinhema, município administrado por Juliano Ferro, Capitão Contar terminou a eleição ao Senado em primeiro lugar, com 8.949 votos, equivalentes a 34,63% dos votos válidos.
Reinaldo Azambuja ficou na segunda colocação, com 8.802 votos, ou 34,06%.
Já Vander Loubet, que recebeu apoio declarado e divulgação de sua candidatura por Juliano Ferro, terminou em terceiro lugar, com 3.368 votos, correspondentes a 13,03%.
Os resultados mostram que Contar recebeu 5.581 votos a mais que Vander, enquanto Reinaldo superou o petista por 5.434 votos no município.
Somados, Contar e Reinaldo conquistaram 17.751 votos em Ivinhema, contra 3.368 de Vander.
O resultado chama atenção porque Juliano Ferro havia se envolvido publicamente na defesa da candidatura do petista, mesmo sendo filiado ao próprio Partido Liberal.
A votação demonstrou que o apoio declarado do prefeito não foi suficiente para colocar Vander à frente dos candidatos que integravam a chapa defendida pelas principais lideranças estaduais.

Em Glória de Dourados, Reinaldo e Contar também venceram Vander
Situação semelhante ocorreu em Glória de Dourados, administrada por Júlio Buguelo.
De acordo com os dados oficiais do TSE, Reinaldo Azambuja foi o candidato ao Senado mais votado no município, com 3.992 votos, equivalentes a 37,52% dos votos válidos.
Capitão Contar terminou em segundo lugar, com 2.841 votos, ou 26,70%.
Vander Loubet, que contou com o apoio do prefeito Júlio Buguelo, ficou na terceira posição, com 2.004 votos, correspondentes a 18,83%.
A diferença foi de 1.988 votos entre Reinaldo e Vander e de 837 votos entre Contar e o petista.
Somados, os dois candidatos eleitos pelo PL alcançaram 6.833 votos no município.
Mesmo com a participação política do prefeito em sua campanha, Vander não conseguiu superar nenhum dos dois candidatos que acabaram eleitos para representar Mato Grosso do Sul no Senado.
O resultado reforçou a vitória da chapa defendida por Riedel e Reinaldo nos dois municípios em que os prefeitos haviam optado por apoiar o petista.

Juliano Ferro contrariou orientação política do próprio PL
Entre os dois episódios, o caso de Juliano Ferro foi o que provocou maior repercussão durante a campanha eleitoral.
Conhecido nas redes sociais como o “prefeito mais louco do Brasil”, o gestor de Ivinhema é filiado ao Partido Liberal, legenda da família Bolsonaro e dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
Em agosto, Juliano declarou publicamente que seu primeiro voto para senador seria destinado a Reinaldo Azambuja, enquanto o segundo seria para Vander Loubet, do Partido dos Trabalhadores.
A decisão contrariou a composição defendida pelas principais lideranças estaduais do PL, que trabalhavam pela eleição de Reinaldo e Contar para as duas vagas em disputa.
Juliano justificou sua escolha pela relação política construída com Vander ao longo dos anos, mencionando o apoio recebido por meio de emendas parlamentares e parcerias administrativas.
O prefeito também afirmou que já havia participado de campanhas anteriores do deputado petista.
A justificativa, na prática, colocou sua relação política com Vander acima da orientação de apoio à chapa completa defendida pelo próprio partido na eleição ao Senado.
Apoio a Vander ocorreu mesmo após orientação contrária a alianças com o PT
Durante o primeiro turno, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, também se posicionou publicamente contra o apoio de integrantes de sua base política a candidaturas do Partido dos Trabalhadores.
A orientação defendida pelo presidenciável era de que prefeitos, filiados e representantes políticos ligados ao projeto do PL não apoiassem candidatos petistas.
Mesmo assim, Juliano Ferro manteve seu posicionamento em favor de Vander Loubet.
É importante destacar, porém, que o prefeito de Ivinhema não declarou apoio a Lula para presidente.
Ao contrário, Juliano já havia anunciado apoio a Flávio Bolsonaro, Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja no primeiro turno.
A divergência estava concentrada na segunda vaga ao Senado, quando preferiu Vander Loubet a Capitão Contar.
A situação ganhou repercussão justamente porque o prefeito apoiava parte da chapa do PL, mas rejeitava a composição integral defendida pelas lideranças partidárias.
Juliano chegou a criticar Capitão Contar
O episódio ganhou novos capítulos quando Juliano Ferro passou a responder às críticas de eleitores e apoiadores da direita.
Durante a campanha, o prefeito fez declarações questionando a capacidade política de Capitão Contar para exercer o mandato de senador, em meio à defesa de seu apoio a Vander Loubet.
O posicionamento ampliou a repercussão da divergência dentro do PL.
Juliano também publicou, em 19 de agosto, um vídeo ao lado de Vander Loubet em suas redes sociais.
A publicação recebeu críticas de seguidores contrários ao apoio a um candidato do PT. Posteriormente, o prefeito restringiu os comentários, mas manteve o conteúdo divulgado.
O episódio reforçou o desgaste político entre o gestor de Ivinhema e parte dos apoiadores de Capitão Contar durante o primeiro turno.
Apoio ao petista provocou pedido de expulsão do partido
A declaração de Juliano também resultou em reação dentro do próprio Partido Liberal.
A ex-candidata a deputada estadual Verônica Tobias pediu a expulsão do prefeito da legenda, alegando infidelidade partidária em razão do apoio declarado a Vander Loubet.
A iniciativa foi motivada pela avaliação de que o prefeito havia contrariado a orientação política do PL e o projeto de eleger Reinaldo Azambuja e Capitão Contar para o Senado.
O pedido ganhou repercussão entre apoiadores da direita, especialmente entre aqueles que defendiam a formação de uma bancada alinhada à família Bolsonaro.
Não há, nas informações disponíveis para esta reportagem, confirmação de decisão definitiva da direção partidária sobre a solicitação de expulsão.
Juliano permaneceu identificado como integrante do PL durante a disputa.
Júlio Buguelo também priorizou apoio a Vander
Em Glória de Dourados, o prefeito Júlio Buguelo adotou posicionamento semelhante ao declarar apoio a Vander Loubet.
Filiado ao PSD, partido de Nelsinho Trad, Buguelo possui histórico de relações políticas com representantes do PT no Estado.
Assim como Juliano, o prefeito destacou a relação construída com Vander e o apoio parlamentar recebido pelo município ao longo dos anos, incluindo a destinação de recursos por meio de emendas.
O apoio ao petista, contudo, não acompanhou integralmente a composição defendida pelas lideranças que apoiavam Riedel, Reinaldo e Contar.
Nas urnas, a diferença ficou evidente.
Apesar da campanha favorável a Vander, Reinaldo e Contar conquistaram as duas primeiras posições em Glória de Dourados.
A votação registrada pelo TSE mostra que Vander terminou atrás dos dois candidatos do PL, mesmo contando com o apoio político da administração municipal.
Após divergências no primeiro turno, prefeitos participam de reunião no QG de Contar
Encerrada a eleição para o Senado, as articulações políticas de Mato Grosso do Sul passaram a se concentrar no segundo turno presidencial.
Foi nesse novo cenário que Juliano Ferro e Júlio Buguelo participaram, na quarta-feira (14), da reunião realizada no QG de Capitão Contar, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande.
Os dois prefeitos estiveram entre as lideranças presentes no encontro que reuniu representantes de diferentes partidos para organizar as atividades da Missão Flávio 22.
A participação não representa necessariamente uma mudança de posicionamento presidencial, especialmente no caso de Juliano, que já declarava apoio a Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno.
O ponto de contraste está na disputa ao Senado.
Durante a campanha, os prefeitos optaram por apoiar Vander Loubet, contrariando a composição defendida pelo grupo estadual. Agora, após a eleição de Reinaldo e Contar, participaram de uma atividade promovida pelo próprio grupo vencedor.
A presença dos gestores no evento também não permite concluir, sem declarações adicionais, que tenham retirado as críticas feitas durante a disputa ou alterado suas avaliações pessoais sobre os candidatos.
O que ficou registrado foi a participação dos dois em uma reunião voltada à organização de ações políticas para o segundo turno.
Reinaldo pede que divergências sejam deixadas para depois
Durante o encontro, Reinaldo Azambuja defendeu a participação de diferentes lideranças políticas e pediu que disputas municipais futuras não interferissem nas articulações atuais.
“Não misture, gente, neste momento, a eleição municipal que vai ocorrer lá em 2028. Nós precisamos de todos os lados aumentar a vantagem sobre o nosso adversário, que é o PT (Partido dos Trabalhadores). Traga todos, sabendo que, no palanque, todos são bem-vindos. Depois de 2026, nós vamos discutir 2028 com vocês”, declarou o senador eleito.
A manifestação evidencia a orientação de reunir diferentes grupos políticos em torno do segundo turno, mesmo diante das divergências ocorridas durante a eleição estadual.
Reinaldo também alertou que o resultado da disputa presidencial ainda não estava definido.
“Não tem eleição ganha. Tem gente que se acomodou. ‘Ah, já ganhou’. Não está ganha a eleição”, afirmou.
Contar recebe lideranças e apresenta meta de 70% para Flávio
Anfitrião da reunião, Capitão Contar destacou o resultado das eleições estaduais e afirmou que a mobilização política do grupo continuaria até o segundo turno.
“Nós ganhamos uma batalha pessoal. Aquela sensação de que a gente ganhou, mas não levou ainda. Falta a gente ganhar a guerra, e a guerra nós vamos ganhar dia 25 de outubro”, declarou.
O senador eleito também apresentou a meta de alcançar pelo menos 70% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.
No primeiro turno, o candidato do PL recebeu 873.351 votos no Estado, equivalentes a 58,60% dos votos válidos.
A meta representa a intenção de ampliar esse percentual em 11,4 pontos até a votação de 25 de outubro.