Petista negou que não haja orçamento para honrar com o pacote de projetos anunciados na campanha eleitoral
Nesta segunda-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu a uma pergunta sobre o risco de uma “bomba fiscal” provocada por medidas sociais anunciadas pelo governo. Durante sabatina no SBT News, o petista rejeitou as críticas e afirmou que sua gestão mantém compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Questionado sobre os efeitos de benefícios como o reajuste do Bolsa Família e a renegociação de dívidas, Lula negou que as iniciativas possam comprometer o orçamento dos próximos anos. O presidente também criticou a pressão do mercado financeiro por responsabilidade fiscal e afirmou que não precisa receber lições sobre o tema.
– Eu não sei da onde [veio] essa ideia de que é uma bomba que vai estourar. Não é bomba que vai estourar, não é bomba! Porque se tem um presidente da República que foi responsável nesse país fui eu. Nos meus primeiros 8 anos eu fiz superávit primário em todos os anos. Uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima – disse.
Para justificar sua posição, Lula comparou os resultados fiscais de seus governos anteriores com as projeções para o atual mandato. Segundo ele, o país recebeu um deficit de 2,8%, enquanto a expectativa é encerrar o período atual com superávit primário de 0,1%.
– Uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho porque eu sei, como pai de família, trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem – declarou.
Ao defender as medidas sociais, o petista afirmou que os benefícios respeitam os limites orçamentários e o espaço fiscal disponível. Entre as iniciativas mencionadas estão a correção do Bolsa Família pela inflação, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e o programa Desenrola, voltado à renegociação de débitos.
Apesar das declarações do presidente, estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que o conjunto de medidas anunciado pelo governo durante a campanha de reeleição já mobilizou R$ 298,4 bilhões. O montante pode aumentar com a inclusão de outras iniciativas aprovadas ou divulgadas recentemente, cujos efeitos sobre as contas públicas devem se estender pelos próximos anos.