Viagem foi confirmada ao Metrópoles por pessoas próximas à família; medida contra passaportes foi solicitada pela PF apenas sete minutos após a confirmação da vitória de Lula, segundo reportagem da coluna de Malu Gaspar.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27) pelo portal Metrópoles.
A informação foi confirmada ao veículo por pessoas próximas à família Bolsonaro. Conforme a reportagem, o avião que transportaria o senador já estava em voo e tinha como provável destino final o estado da Flórida.
A notícia representa uma mudança importante em relação às informações que circularam durante a madrugada, quando o portal argentino Infobae divulgou que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina e embarcado em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
Na ocasião, aliados do senador contestaram a informação.
Agora, com a nova reportagem do Metrópoles, a saída do Brasil ganha outro peso político, especialmente diante dos acontecimentos que se sucederam à vitória de Lula.
Sete minutos após a eleição, pedido da Polícia Federal
Um dos fatos mais importantes dessa história aconteceu ainda no domingo (25), logo após a confirmação da derrota de Flávio Bolsonaro.
Conforme reportagem do jornalista Rafael Moraes Moura, publicada na coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, a Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o resultado presidencial.
A informação revela a rapidez da movimentação policial contra o candidato derrotado.
O pedido da PF e a posterior decisão judicial são atos distintos, mas a proximidade dos acontecimentos com o resultado eleitoral gerou questionamentos sobre a urgência das providências adotadas.
Moraes determinou restrições aos passaportes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aparece como relator da Petição 16.877/DF, procedimento mencionado em documento que prevê restrições contra Flávio Bolsonaro.
O texto atribuído à decisão estabelece o cancelamento de passaportes brasileiros do senador, inclusive diplomáticos, a entrega de eventuais passaportes estrangeiros e a proibição de contato com o advogado Willer Tomaz.
As medidas foram fundamentadas, segundo o trecho divulgado, no artigo 319 do Código de Processo Penal, que disciplina cautelares alternativas à prisão.
A investigação envolveria suspeitas relacionadas a operações com casas de apostas e possível lavagem de dinheiro, conforme informações publicadas sobre o procedimento.
Essas suspeitas ainda dependem da devida apuração e não significam comprovação de participação do senador em crimes.
Flávio denunciou perseguição política
Ainda na segunda-feira, Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para se manifestar sobre as medidas adotadas contra ele.
O senador denunciou o que considera uma perseguição política e criticou a atuação judicial logo depois do resultado presidencial.
A reação ocorreu diante de um cenário particularmente sensível para a oposição: o candidato que havia acabado de disputar o segundo turno presidencial contra Lula passava a enfrentar medidas restritivas impostas no âmbito do Supremo.
O ministro responsável pelo procedimento, Alexandre de Moraes, também esteve à frente de decisões envolvendo Jair Bolsonaro, pai de Flávio, incluindo medidas relacionadas à sua prisão.
Para críticos da atuação do STF, esse histórico intensifica as preocupações sobre a imparcialidade institucional.
Um novo capítulo da crise institucional
A saída de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de forte tensão entre a oposição e o Judiciário.
Após receber milhões de votos na disputa presidencial, o senador passou a enfrentar uma investigação com consequências sobre sua liberdade de deslocamento.
Para O Contribuinte, a sequência dos acontecimentos merece uma análise que não se limite à palavra “fuga”.
O enquadramento de exílio político, defendido editorialmente pelo portal, parte do entendimento de que o ambiente institucional e as medidas judiciais podem ter influenciado diretamente a decisão do parlamentar de buscar proteção fora do país.
O fato é que o Brasil encerrou uma eleição presidencial no domingo e, dois dias depois, viu o candidato derrotado seguir para os Estados Unidos em meio a uma controvérsia judicial de grandes proporções.