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Dos EUA, Flávio poderá levar denúncias contra o Judiciário brasileiro ao governo Trump e à comunidade internacional

Apuração divulgada pelo Metrópoles aponta tentativa de aproximar situação do senador à de María Corina Machado; relatos também mencionam modelo de articulação internacional semelhante ao de Juan Guaidó.

A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil poderá representar mais do que uma mudança de endereço do candidato derrotado na eleição presidencial. Informações divulgadas nesta terça-feira (27) apontam a possibilidade de o senador utilizar os Estados Unidos como centro de uma nova estratégia de atuação política internacional contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma das hipóteses que ganharam força nos bastidores é a de que Flávio poderá se estabelecer como liderança da oposição brasileira no exterior, utilizando sua permanência em território americano para denunciar aquilo que considera perseguição política no Brasil.

A possibilidade ganhou repercussão depois de informações divulgadas pelo jornalista Sam Pancher, do Metrópoles.

Segundo publicação do repórter, existe uma tentativa de aproximar a situação de Flávio Bolsonaro à da líder oposicionista venezuelana María Corina Machado.

A estratégia envolveria projetar internacionalmente a imagem de Flávio como uma liderança política que deixou seu país em meio a conflitos com as instituições nacionais.

María Corina Machado entra na comparação

A situação da líder venezuelana María Corina Machado passou a ser citada como referência para a possível atuação internacional de Flávio Bolsonaro.

Machado se tornou uma das principais figuras da oposição ao governo de Nicolás Maduro e ganhou projeção internacional por suas denúncias sobre a situação política da Venezuela.

A comparação sugere que Flávio poderia buscar visibilidade semelhante, denunciando no exterior medidas judiciais adotadas contra integrantes da direita brasileira.

Nesse cenário, sua permanência nos Estados Unidos poderia facilitar o contato com parlamentares americanos, representantes de organizações internacionais, veículos de comunicação e integrantes do governo Trump.

Entretanto, a comparação política não demonstra que as circunstâncias jurídicas dos dois países sejam equivalentes.

Um possível governo paralelo?

Outro relato que passou a circular no noticiário relaciona os planos atribuídos a Flávio à estratégia utilizada por Juan Guaidó, opositor do governo venezuelano de Nicolás Maduro.

Em 2019, Guaidó declarou-se presidente interino da Venezuela e recebeu reconhecimento dos Estados Unidos e de outros países.

A iniciativa deu origem a uma disputa internacional sobre a legitimidade do governo venezuelano.

No caso brasileiro, informações divulgadas sobre possíveis articulações no exterior mencionam a criação de uma estrutura política paralela ao governo Lula.

A hipótese, no entanto, ainda não foi confirmada pelo próprio Flávio Bolsonaro.

Trump poderá se tornar um interlocutor importante

A possibilidade de Flávio permanecer nos Estados Unidos coloca Donald Trump entre os personagens políticos com potencial influência sobre o futuro do senador brasileiro.

O governo americano já foi mencionado em informações sobre a emissão de vistos para Flávio e sua família.

Também surgiram relatos sobre possível participação da administração Trump em uma operação de proteção e retirada do parlamentar.

Caso Flávio estabeleça uma base política no exterior, poderá buscar interlocução com lideranças conservadoras próximas ao presidente americano.

Marco Rubio poderá ter papel diplomático

O secretário de Estado Marco Rubio também aparece entre os personagens citados nas informações sobre a situação de Flávio.

Sua posição no governo americano faz com que eventual interlocução entre o senador brasileiro e autoridades diplomáticas dos Estados Unidos tenha repercussão internacional.

Relatos sobre a chamada Operação Alba atribuem a Rubio a organização de uma iniciativa voltada à segurança e ao deslocamento de Flávio Bolsonaro.

A disputa poderá ganhar dimensão internacional

O cenário indica que Flávio Bolsonaro poderá buscar um novo espaço político depois da eleição presidencial.

A estratégia mencionada nos relatos é transformar sua saída do Brasil em um ponto de partida para uma atuação internacional mais ampla.

Mas três questões precisam ser esclarecidas: se existe realmente uma estrutura organizada nos Estados Unidos, quem participará dela e qual será o nível de apoio do governo Trump.

A comparação com María Corina Machado e Juan Guaidó mostra a dimensão das hipóteses discutidas nos bastidores.

A confirmação de qualquer plano, contudo, dependerá de atos concretos de Flávio Bolsonaro e de seus eventuais interlocutores americanos.

O próximo capítulo poderá não acontecer em Brasília, mas em Washington ou na Flórida, caso o senador decida transformar sua permanência nos Estados Unidos em uma plataforma internacional de oposição.