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Acareação de Toffoli é plano da defesa para reverter liquidação do Master, diz jornal

A estratégia da defesa dos investigados no escândalo do Banco Master ganhou um novo e significativo capítulo. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, os advogados do banco e de seus controladores, incluindo os irmãos Alberto e Joacinei Youssef, articulam uma manobra jurídica de alto risco: a acareação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

O objetivo declarado, segundo a apuração do jornal, seria esclarecer supostas contradições em depoimentos. A defesa alega que houve imprecisões na condução do caso, sugerindo que o ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações, pode ter se baseado em informações equivocadas para decretar a liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central (BC) em agosto de 2023.

No entanto, analistas e a própria reportagem indicam que o verdadeiro e principal propósito vai muito além do esclarecimento formal. Trata-se de uma tentativa estratégica de desconstruir o processo e buscar a reabilitação do banco. O plano teria como pilares:

  1. Desgastar a narrativa da acusação: Colocar Toffoli, que como presidente do STF na época da liquidação recebeu ofícios e participou de partes do processo, em um embate direto com versões apresentadas pelo Banco Central e pela Polícia Federal, buscando criar a impressão de fragilidade nas provas.
  2. Criar um fato político-jurídico: Uma acareação com um ministro do STF é um evento raríssimo e de enorme repercussão. A defesa apostaria no impacto midiático e na pressão institucional gerada por tal situação para forçar uma revisão do caso, tentando transferir o debate do plano técnico-jurídico para o político.
  3. Abrir caminho para a revisão da liquidação: O sonho final da defesa, considerado um “longo shot” por especialistas, seria convencer o plenário do STF ou mesmo o próprio BC de que a medida extrema da liquidação foi um erro com base em informações falhas, o que poderia, em tese, reverter o ato e permitir a recuperação do banco.

A reação no meio jurídico e político foi de ceticismo e alarme. Especialistas em direito processual consideram a acareação com um ministro do Supremo um pedido incomum e de difícil concessão, visto que Toffoli não é testemunha direta dos fatos investigados, mas sim destinatário de comunicações oficiais no exercício de sua função. Além disso, argumenta-se que a medida poderia configurar uma instrumentalização do tribunal para fins claramente defensivos.

O caso expõe, mais uma vez, a extrema complexidade e as elevadas tensões que envolvem o processo do Banco Master. A defesa, em uma jogada agressiva, busca virar o jogo não apenas nos autos, mas na arena da opinião pública e nas relações entre os Poderes.

Enquanto o STF avalia o pedido, a movimentação ilustra o grau de desespero e a luta pela sobrevivência dos envolvidos. O que está em jogo não são apenas responsabilidades penais individuais, mas o destino de um banco liquidado sob a acusação de graves irregularidades e seu impacto no sistema financeiro. O episódio da tentativa de acareação com Toffoli demonstra que, neste processo, todas as cartas – inclusive as de maior risco institucional – estão sendo colocadas sobre a mesa.