Justiça concedeu medida protetiva contra o então diretor da Funesp; decisão da Câmara de exonerar mulher que registrou denúncia gera críticas e questionamentos.
A denúncia de violência doméstica envolvendo o então diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), Sandro Trindade Benites, provocou forte repercussão política em Campo Grande e abriu uma crise institucional que agora envolve também a Câmara Municipal.
Conforme publicado no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (9), Benites deixou o comando da Funesp. A publicação registra a revogação de sua designação “a pedido”, indicando que a decisão de deixar o cargo partiu do próprio secretário.
A exoneração ocorre poucos dias após o registro de um boletim de ocorrência por violência psicológica em contexto de relação doméstica, feito por uma mulher que posteriormente obteve medida protetiva deferida pela Justiça.
Justiça concedeu medida protetiva
De acordo com informações obtidas pelo Portal O Contribuinte, a mulher procurou as autoridades e registrou a ocorrência no sábado (7). No relato, ela afirmou ter sido vítima de violência psicológica e solicitou proteção judicial.
O caso foi analisado em regime de plantão pelo juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, que concluiu haver indícios suficientes de materialidade e autoria para conceder a medida protetiva.
Na decisão, o magistrado determinou que Sandro Benites não se aproxime da mulher, de seus familiares ou testemunhas, além de proibir qualquer forma de contato.
O eventual descumprimento das determinações judiciais pode resultar na decretação de prisão preventiva.
Prefeitura diz que saída ocorreu para esclarecer fatos
Em nota oficial, a Prefeitura de Campo Grande informou que Benites solicitou o desligamento para se dedicar ao esclarecimento de questões pessoais.
“A Prefeitura de Campo Grande informa que o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), Sandro Benites, solicitou nesta segunda-feira, 9 de março, seu desligamento do cargo, para que possa dedicar-se a esclarecer fatos de caráter pessoal”, afirmou o município.
Com a saída, o comando da Funesp passou a ser exercido interinamente por Maicon Luiz Mommad, que já assinou atos administrativos publicados no Diário Oficial desta segunda-feira.
Exoneração da suposta vítima gera indignação
O caso ganhou novos contornos políticos após a revelação de que a mulher que registrou a denúncia foi exonerada de um cargo comissionado na Câmara Municipal de Campo Grande.
A decisão foi tomada pelo presidente da Casa, vereador Epaminondas Vicente Neto (Papy), logo após o registro da ocorrência, segundo informações divulgadas pelo site Pauta Diária.
A sequência dos acontecimentos gerou forte reação e questionamentos sobre a postura da direção do Legislativo municipal, principalmente por ocorrer às vésperas do Dia Internacional da Mulher.
Para observadores políticos, a exoneração da mulher — apontada como vítima — pode transmitir a mensagem de punição a quem denuncia, em vez de oferecer respaldo institucional.
Silêncio da presidência da Câmara amplia pressão
Até o momento, Papy não apresentou explicações públicas sobre os motivos da exoneração nem detalhou quais providências institucionais a Câmara pretende adotar diante das acusações envolvendo um integrante do primeiro escalão da administração municipal.
A ausência de posicionamento oficial tem ampliado a pressão sobre a presidência do Legislativo e reforçado críticas sobre falta de transparência na condução do caso.
Nos bastidores políticos, cresce a cobrança para que a Câmara esclareça quais critérios foram utilizados para a exoneração da servidora justamente no momento em que ela figura como denunciante em um caso de violência psicológica.
Para críticos, o episódio expõe uma contradição difícil de ignorar: quando denúncias envolvem figuras de poder, a resposta institucional pode acabar recaindo sobre quem denuncia, e não sobre quem é acusado.
Defesa não respondeu
A reportagem do Portal O Contribuinte tenta desde domingo contato com Sandro Benites para ouvir sua versão sobre as acusações. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
O espaço segue aberto para manifestação.