Apuração aponta atuação de agências como Mithi (ex-sócio de Léo Dias), UNLTD Brasil e Portal Group Br, além da abordagem direta a influenciadores de direita em meio à liquidação do Banco Master
Uma ofensiva digital milionária teria sido articulada para tentar defender o Banco Master, instituição financeira liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central, em um episódio que vem sendo tratado como a maior fraude da história do sistema financeiro brasileiro.
Segundo reportagem do jornal O Globo, agências de comunicação ofereceram contratos de até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para a produção de conteúdos que questionassem a decisão do Banco Central e sustentassem a narrativa de que a liquidação teria sido “precipitada”.
De acordo com a apuração, influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores teriam recebido propostas de até R$ 2 milhões por três meses de trabalho. Para perfis com menos de 500 mil seguidores, os contratos chegariam a R$ 250 mil.
O “Projeto DV” e o acordo de confidencialidade
Os influenciadores abordados relataram que a ação fazia parte de um plano batizado internamente de “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Os contratos, segundo relatos, incluíam acordos de confidencialidade rigorosos e tinham como objetivo central difundir dúvidas sobre a atuação do Banco Central, colocando em xeque a legalidade e a necessidade da liquidação da instituição financeira.
O vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), que soma cerca de 1,4 milhão de seguidores, confirmou que foi procurado em 20 de dezembro, via Instagram, por André Salvador, representante da empresa UNLTD Brasil.
As agências citadas
Agência Mithi (Miranda Comunicação)
O contratante principal da ofensiva, segundo as reportagens, teria sido a Agência Mithi, registrada na Receita Federal como Miranda Comunicação.
Entre os sócios estão:
– Thiago Miranda, ex-CEO e ex-sócio do Grupo Léo Dias
– Flávio Carneiro, com 60% de participação
A Mithi atua no mercado de celebridades, marcas de alto padrão e também com grandes instituições financeiras, como a XP.
Group Br
Outro nome que surge no caso é o da Groupe (ou Group Br), agência voltada à atuação com influenciadores de direita.
A influenciadora Juliana Moreira Leite, que também possui cerca de 1,4 milhão de seguidores, afirmou que foi procurada diretamente por Júnior Favoreto, CEO da agência.
Segundo Juliana, a proposta envolvia produção de conteúdos críticos à atuação do Banco Central, alinhados à estratégia de defesa do Banco Master.
Mato Grosso do Sul entra no centro da polêmica
Um dos pontos que chama atenção na apuração é o fato de que Mato Grosso do Sul aparece diretamente ligado a personagens centrais do episódio.
O CEO da Group Br, Júnior Favoreto, possui diversas conexões no estado. Além disso, Júnior Favoreto é ligado profissionalmente ao influenciador Firmino Cortada, que recentemente passou a integrar oficialmente o casting de influenciadores da Group, conforme publicações da agência.
Firmino Cortada, que se tornou um dos principais nomes do humor político nacional, conhecido por comentários ácidos e grande alcance nas redes, publicou diversos vídeos sobre o caso Banco Master.
Dois desses conteúdos chamaram atenção por apresentarem um tom considerado atípico:
– Não houve ataque direto ao Banco Master
– Os vídeos trouxeram questionamentos e levantaram dúvidas sobre a decisão do Banco Central
– O conteúdo soou, para parte do público, como uma postura defensiva ou neutra em relação ao banco
Diante das informações de que o proprietário da agência que o agencia estava abordando influenciadores para defender o Banco Master, conforme relatado por Juliana Moreira Leite, surge a dúvida inevitável:
Firmino Cortada, por ser agenciado pela Group Br, recebeu ou não algum tipo de pagamento, orientação ou alinhamento estratégico para tratar do caso?
Na manhã desta quarta-feira, 7, Firmino publicou um novo conteúdo sobre o tema, mas que também não trouxe esclarecimentos objetivos sobre eventual relação comercial ou editorial envolvendo o caso.
Espaço aberto
O Portal O Contribuinte reforça que não faz acusações, mas cumpre seu dever jornalístico de apurar, contextualizar e questionar fatos de interesse público, sobretudo quando envolvem:
– Milhões de reais
– Influência política e digital
– Um episódio classificado como a maior fraude financeira da história do país
O espaço segue integralmente aberto para manifestações de:
– Júnior Favoreto
– Agência Group Br
– Firmino Cortada
– E demais envolvidos citados na reportagem