Mendonça afirma que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de monitoramento por mais de um mês
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, o afastamento preventivo de Andrei Augusto Passos Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial da corporação.
A decisão atinge dois dos principais postos da PF durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e aprofunda a crise institucional desencadeada pelas revelações do Caso Master.
Ao fundamentar a medida, Mendonça apontou a “superlativa gravidade e ilicitude” da produção dos chamados relatórios de inteligência posteriormente utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes em uma ofensiva contra o próprio relator.
Segundo a decisão, os documentos revelariam que Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram submetidos a “monitoramento e coleta dirigida de informações” durante pelo menos um mês.
O ministro afirmou que a medida seria necessária para impedir que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuassem sendo violadas.
Mendonça manda investigar cúpula da PF
Além dos afastamentos, André Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de natureza criminal e administrativo-disciplinar para esclarecer:
Quem ordenou a produção dos relatórios;
Quem efetivamente elaborou os documentos;
Em quais datas eles foram produzidos;
Se existem outros relatórios com a mesma finalidade;
Como ocorreu o monitoramento de autoridades;
Qual foi a participação da direção da Polícia Federal.
Mendonça também suspendeu a produção, elaboração e circulação interna de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados por integrantes da magistratura, da advocacia pública e da polícia judiciária no exercício de suas funções constitucionais.
O ministro da Justiça e Segurança Pública foi intimado para o cumprimento imediato da decisão, enquanto a Procuradoria-Geral da República recebeu comunicação formal do despacho.
Relatórios utilizados por Moraes
Os documentos que provocaram a reação de Mendonça foram apresentados na semana passada por Alexandre de Moraes. Com base neles, Moraes levantou acusações contra o colega no âmbito do Inquérito das Fake News.
Parte do material foi descrita como documento interno, de circulação restrita e sem valor probatório. Também surgiram questionamentos sobre a ausência de assinatura, autoria e data em algumas peças, além da utilização de avaliações classificadas pelos próprios responsáveis com grau de confiança baixo ou moderado.
Apesar dessas fragilidades, os relatórios foram incorporados à ofensiva promovida por Moraes contra Mendonça.
A decisão desta terça-feira representa uma virada na crise: a documentação usada para atingir Mendonça passa agora a ser o próprio objeto de investigação.
Segunda Turma forma maioria
André Mendonça submeteu a medida ao referendo da Segunda Turma do STF. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam integralmente o relator, estabelecendo uma maioria de três votos pela manutenção dos afastamentos.
Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo a conclusão formal do julgamento. Dias Toffoli ainda não havia se manifestado e precisará definir se participará do caso ou se manterá o impedimento anteriormente adotado em questões relacionadas ao Banco Master.
O pedido de vista impede a proclamação definitiva do resultado, mas não derruba automaticamente a decisão cautelar. Dessa forma, Andrei Rodrigues e Leandro Almada continuam afastados enquanto a ordem permanecer válida.