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Anotações de Flávio selam Capitão Contar na vaga raiz ao Senado e consolidam aliança do PL com Riedel em MS

Adversários em 2022, Riedel e Contar surgem como os principais beneficiados políticos após vazamento das anotações de Flávio

O vazamento das anotações feitas pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), durante atendimentos na sede nacional do partido, em Brasília, não apenas expôs bastidores, praticamente selou a candidatura de Capitão Contar ao Senado pelo PL na chamada “vaga raiz” em Mato Grosso do Sul.

Mais do que um episódio isolado, o conteúdo revela uma construção estratégica maior: o PL está operando nacionalmente para fortalecer sua futura bancada no Senado Federal, peça-chave para qualquer projeto presidencial em 2026.

E Mato Grosso do Sul entrou definitivamente nesse tabuleiro.

A engenharia nacional do PL

Desde 2024, o Partido Liberal vem estruturando alianças que extrapolam a bolha bolsonarista tradicional. O objetivo é claro: formar maioria robusta no Senado para dar sustentação a um eventual governo alinhado ao projeto conservador.

Para isso, o partido tem dialogado com lideranças que historicamente orbitam o centro e a centro-direita, ainda que não tenham sido consideradas, em outros momentos, da base ideológica mais fiel ao bolsonarismo.

Mato Grosso do Sul é um dos estados onde essa costura ganhou força.

Quando ainda exercia plenamente sua articulação política, Jair Bolsonaro iniciou a aproximação com o então governador Eduardo Riedel e com o ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje presidente estadual do PL. Vale lembrar que, em 2022, Riedel já buscou o apoio do então presidente Bolsonaro, apoio que veio acompanhado da articulação da senadora Tereza Cristina, à época ministra da Agricultura.

A parceria foi retomada em 2024 e consolidada ao longo de 2025.

As anotações de Flávio Bolsonaro apenas tornaram público aquilo que já vinha sendo construído nos bastidores:

– Riedel como único nome fora do PL garantido com apoio formal do partido ao Governo do Estado;

– Reinaldo Azambuja confirmado como candidato ao Senado;

– E agora, com a menção clara ao desempenho nas pesquisas, Capitão Contar praticamente oficializado como segundo nome ao Senado.

A segunda vaga e a disputa silenciosa

Se o apoio a Riedel e a candidatura de Azambuja já eram amplamente conhecidos, a segunda vaga ao Senado era o ponto de tensão.

A imprensa estadual vinha apontando indefiniçã, e o Portal O Contribuinte apurou, em momentos anteriores, que o ex-governador Reinaldo Azambuja trabalhava para que o PL tivesse apenas uma candidatura própria ao Senado: a sua.

A estratégia consistiria em manter a segunda vaga dentro do grupo político consolidado entre ele e Riedel, ampliando o arco de alianças para sustentar a reeleição do atual governador.

Contudo, dois fatores alteraram o cenário:

– Desempenho consistente de Capitão Contar nas pesquisas, mencionado nas próprias anotações de Flávio como “melhor nas pesquisas”;

– Respaldo nacional de Contar, que mantém diálogo direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Na lógica nacional do partido, abrir mão de um nome competitivo e identificado com a direita mais ideológica poderia significar fragilizar a estratégia de fortalecimento da bancada no Senado.

Assim, a eventual dobradinha Azambuja + Contar, na chapa apoiada por Riedel, cumpre dupla função:

– Mantém o arranjo institucional com o centro-direita;

– Consolida os votos da direita raiz.

O plano B da direita

O novo desenho, porém, reorganiza o campo da chamada direita mais ideológica no Estado.

Sem espaço dentro do PL para múltiplas candidaturas majoritárias, cresce a possibilidade de migração para o que vem sendo chamado de “plano B” da direita em Mato Grosso do Sul: o Partido Novo.

Hoje, o Novo sinaliza disposição para lançar:

– Um candidato ao Governo do Estado;

– Duas candidaturas ao Senado.

O partido já convidou oficialmente o deputado estadual João Henrique Catan (PL), opositor declarado de Eduardo Riedel, para encabeçar a disputa ao governo.

Gianni Nogueira, que mantém sua pré-candidatura ao Senado e afirma contar com apoio do ex-presidente Bolsonaro, também aparece entre os nomes cogitados no Novo.

E onde entra Marcos Pollon?

O deputado federal Marcos Pollon, o mais votado do Estado na última eleição, permanece como incógnita.

Publicamente, reafirma ser pré-candidato ao Governo do Estado, mas não esclarece por qual partido pretende disputar. As apurações do Portal O Contribuinte indicam que não há definição clara sobre sua filiação futura, nem mesmo se sua movimentação atual configura um projeto consolidado ou um balão de ensaio político.

Nos bastidores, há quem avalie que, diante do fechamento do espaço no PL para a disputa ao governo, Pollon poderia surgir como alternativa ao Senado pelo Novo.

Por outro lado, o próprio parlamentar já declarou que sua construção passa por uma definição nacional que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, Eduardo, Carlos e Flávio, o que mantém sua estratégia vinculada ao núcleo bolsonarista.

O cenário que se desenha

Com as anotações de Flávio Bolsonaro, o tabuleiro político de Mato Grosso do Sul ganhou contornos mais nítidos:

– Riedel consolidado como candidato ao governo com apoio do PL;

– Reinaldo Azambuja confirmado ao Senado;

– Capitão Contar praticamente selado como candidato na vaga raiz do partido;

– E a direita ideológica reorganizando seu plano alternativo no Novo.

Se antes o cenário era de especulação, agora passa a ser de reposicionamento estratégico.

A disputa em Mato Grosso do Sul deixa de ser apenas estadual e passa a integrar, de forma explícita, a engrenagem nacional do PL para 2026, onde cada cadeira no Senado vale tanto quanto um palanque presidencial.