Jovem conservadora de 27 anos surpreende em sua primeira disputa para federal e assumirá cadeira deixada por André Salineiro em 2027
Ela não conquistou uma das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, mas dificilmente alguém poderá dizer que Cassy Monteiro (PL) saiu derrotada das eleições de 2026.
Aos 27 anos, sem exercer mandato eletivo e disputando pela primeira vez uma cadeira no Congresso Nacional, Cassy recebeu mais de 44 mil votos para deputada federal, terminou como a quarta mais votada do PL e tornou-se a primeira suplente da legenda para Brasília.
O resultado ganha ainda mais peso quando comparado à sua curta trajetória eleitoral. Há apenas dois anos, em 2024, Cassy havia disputado uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande e recebido 2.012 votos, terminando como primeira suplente do PL.
Agora, sua votação estadual ultrapassou a barreira dos 44 mil.
E o domingo (4) ainda reservou uma reviravolta política para a jovem candidata: André Salineiro (PL) foi eleito deputado estadual e deixará a Câmara Municipal para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa em fevereiro de 2027.
Quem está imediatamente atrás dele na fila partidária de 2024 é justamente Cassy.
A surpresa das urnas de 2026, portanto, começará o próximo ano com mandato.

De 2 mil para mais de 44 mil votos
A dimensão do crescimento eleitoral ajuda a explicar por que Cassy termina 2026 como um dos nomes novos da direita sul-mato-grossense a serem observados.
Na eleição municipal de 2024, o PL conquistou três cadeiras na Câmara de Campo Grande.
Rafael Tavares recebeu 8.128 votos, André Salineiro teve 4.782 e Ana Portela, 4.577.
Cassy apareceu logo depois, com 2.012 votos, tornando-se a primeira suplente do partido.
Dois anos depois, decidiu encarar uma disputa muito maior: saiu da eleição municipal para tentar representar Mato Grosso do Sul em Brasília.
O resultado foi de mais de 44 mil votos.
Dentro do PL, Cassy ficou atrás apenas dos três candidatos que conquistaram as cadeiras do partido: Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira.
Ou seja: na primeira disputa para deputada federal, uma candidata de 27 anos, sem mandato, conseguiu terminar imediatamente atrás de três nomes já consolidados eleitoralmente.
Mais de 25 mil votos somente em Campo Grande
Outro número ajuda a dimensionar o desempenho de Cassy.
Dos mais de 44 mil votos conquistados no Estado, 25.999 vieram de Campo Grande.
A votação na Capital é particularmente importante para o próximo capítulo de sua trajetória.
Isso porque será justamente o eleitorado campo-grandense que Cassy passará a representar na Câmara Municipal a partir da abertura da vaga de André Salineiro.
A votação para federal mostrou uma capacidade de crescimento muito superior à apresentada apenas dois anos antes e colocou seu nome em disputa direta com políticos muito mais conhecidos do eleitorado.
É uma mudança significativa de patamar para quem chegou às eleições de 2026 sem ocupar cargo público.

O fator Nikolas Ferreira
A trajetória de Cassy também está diretamente ligada à renovação da direita brasileira e a um de seus principais expoentes entre os jovens: Nikolas Ferreira.
O deputado mineiro já havia apoiado Cassy na eleição municipal de 2024, quando ela tentou chegar à Câmara de Campo Grande.
A relação política continuou nos anos seguintes.
Cassy participou de mobilizações ligadas a Nikolas, esteve envolvida em movimentos conservadores e chegou às eleições de 2026 novamente contando com o apoio do parlamentar.
Não tentou esconder essa proximidade.
Ao contrário, fez dela uma das marcas de sua construção política.
Em Mato Grosso do Sul, Cassy buscou reproduzir justamente uma característica que transformou Nikolas em fenômeno eleitoral: juventude, forte presença nas redes sociais, discurso conservador e atuação política para além das estruturas partidárias tradicionais.
Em 2026, essa aposta chegou às urnas.
Uma geração de jovens da direita
Cassy também não aparece isoladamente nesse movimento.
As eleições de 2026 consolidaram uma nova geração de políticos jovens ligados à direita e ao bolsonarismo em diferentes partes do país, muitos deles próximos ou politicamente alinhados a Nikolas Ferreira.

Em Mato Grosso do Sul, outro exemplo foi Daverson Matos.
Vereador de Rio Verde, Daverson surpreendeu ao conquistar mais de 30 mil votos e garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa para os próximos quatro anos.
Cassy não conseguiu repetir o feito para Brasília, mas alcançou uma votação expressiva o suficiente para sair da eleição em outra posição política.
Agora não é mais apenas uma liderança de movimentos conservadores ou uma primeira suplente que aguarda oportunidade.
É uma candidata que passou pelo teste das urnas em uma disputa estadual e conquistou mais de 44 mil votos.

Instituto Desperte e Governe
Antes mesmo de conquistar mandato, Cassy já desenvolvia atuação política e social fora do Legislativo.
Psicóloga e pós-graduanda em Gestão Pública, ela é fundadora do Instituto Desperte e Governe, criado em 2025 e voltado, entre outras frentes, à formação cidadã, cultural e cívico-política de jovens.
O trabalho já alcançou milhares de pessoas e diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
A atuação de Cassy também é marcada por temas relacionados à proteção da infância, fortalecimento das famílias e combate à violência e ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.
Sua trajetória inclui ainda iniciativas direcionadas a famílias em situação de vulnerabilidade, gestantes e jovens, além de proximidade com atores ligados à rede de proteção da infância e adolescência.
São bandeiras que ela deverá levar agora para dentro do Legislativo municipal.
Salineiro abre caminho para Cassy
Curiosamente, a eleição estadual que Cassy não disputou acabou sendo fundamental para que ela conquistasse seu primeiro mandato.
André Salineiro foi eleito deputado estadual.
Como não poderá acumular os dois mandatos eletivos, Salineiro deixará sua cadeira na Câmara Municipal quando assumir na Assembleia Legislativa.
Cassy é a primeira suplente do PL da eleição municipal de 2024 e será chamada para ocupar a vaga.
Salineiro permanece vereador até o encerramento de 2026. A mudança ocorre com sua posse na Assembleia, prevista para fevereiro de 2027.

Cassy já comentou publicamente a nova missão.
“Com a eleição do vereador André Salineiro para deputado estadual, no próximo ano, assumirei uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande como primeira suplente do PL. Recebo essa missão com muita responsabilidade e disposição para trabalhar pela população da Capital.”
A chegada à Câmara permitirá que ela transforme a votação conquistada em 2026 em presença institucional.
Das ruas para dentro da Câmara
O resultado transforma o cenário para Cassy Monteiro.
Em 2024, ela bateu na porta da Câmara Municipal e ficou na primeira suplência.
Passou os dois anos seguintes construindo sua atuação fora de um cargo eletivo, especialmente por meio de movimentos conservadores, redes sociais, ações relacionadas à infância e juventude e do Instituto Desperte e Governe.
Em 2026, decidiu subir vários degraus de uma vez e disputar uma cadeira de deputada federal.

Não conseguiu Brasília.
Mas conquistou mais de 44 mil votos, terminou em quarto lugar dentro de uma das chapas mais competitivas do Estado, tornou-se primeira suplente para a Câmara Federal e viu a eleição de André Salineiro transformar sua antiga suplência municipal em mandato.
A partir de fevereiro, terá aproximadamente dois anos de Câmara Municipal para mostrar se a força demonstrada nas urnas poderá ser transformada em capital político.
Aos 27 anos, Cassy Monteiro sai de 2026 sem a cadeira que buscava em Brasília, mas como uma das principais surpresas das urnas e com algo que não possuía quando a campanha começou: um mandato pela frente e mais de 44 mil votos como cartão de apresentação.