Intervenção de Flávio ocorre após escalada de ataques nas redes sociais
O que já era um incômodo nos bastidores se transformou em crise aberta. Após mais um episódio de forte reação nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a protagonizar ataques públicos contra nomes da própria direita, ampliando o racha dentro do campo conservador.
As declarações, marcadas por tom duro e acusações graves, atingem diretamente parlamentares e influenciadores alinhados ao projeto nacional do PL, como Nikolas Ferreira, Ana Caroline Campagnolo e outras lideranças. Em suas falas, Eduardo chega a sugerir que esses nomes não apoiam seu irmão e, em afirmações mais extremas, acusa parte desse grupo de não desejar a recuperação política — e até pessoal — de seu pai, Jair Bolsonaro.
A escalada de tensão não é inédita. Nikolas Ferreira, inclusive, já respondeu publicamente em episódios anteriores, evidenciando que o conflito entre os dois não é recente — e, ao que tudo indica, está longe de ser o último.
O embate ganhou ainda mais força com a entrada de outros nomes na discussão. O deputado estadual Gil Diniz de São Paulo e o jornalista Allan dos Santos se posicionaram em defesa de Eduardo, ampliando o alcance da crise. A deputada estadual de Santa Catarina Ana Campagnolo e o vereador de Curitiba, Guilherme Kilter, foram às redes em defesa de Nikolas.
O cenário evidencia uma direita dividida, com trocas públicas de acusações, desgaste de imagem e fragmentação de lideranças — enquanto, curiosamente, críticos apontam a ausência de ataques na mesma intensidade contra adversários políticos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Diante do clima de “guerra interna”, o senador é pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro tentou atuar como moderador. Em publicação feita na noite deste sábado (4), ele pediu racionalidade e união entre os aliados:
“Fala pessoal, tô gravando esse vídeo pra tentar chamar todos pra racionalidade. É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um país pra resgatar e o inimigo não tá aqui, tá do lado de lá. Esse é o tipo de confusão que não tem vencedor, todo mundo sai perdendo. Cada um tem os seus motivos, as suas mágoas, tem o direito de se defender do que acha que é agressão ou provocação do outro, beleza? mas cada um tem o seu tempo.
Pessoal, a partir de agora, todos nós temos que focar em um só objetivo. Bora olhar para frente. O único caminho que eu tenho para sugerir e que qualquer um aí pode encontrar no livro da vida, mais especificamente em Colossenses 3, 13, é o seguinte. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês. Perdoem uns aos outros.
Pessoal, só vem comigo. Vem me ajudar a devolver a fé, a esperança e a alegria para a nossa nação. Todo o resto agora é menor.”
Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que Flávio Bolsonaro tenta evitar que o desgaste avance ainda mais e comprometa o projeto político da direita para os próximos anos. Ainda assim, o foco das críticas segue concentrado em Eduardo, visto por parte do próprio campo como o principal responsável por tensionar o ambiente.