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Após audiências de custódia, investigação da Operação Gutenberg avança para perícias e quebra de sigilos

Rossana Paroschi Jafar e Jéssyca Duarte Burgatt passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira (9), encerrando a etapa de apresentação dos presos ao Judiciário.

A Operação Gutenberg entra, a partir desta quinta-feira (9), em uma nova etapa considerada decisiva pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Com a realização das audiências de custódia dos últimos investigados presos durante a ofensiva do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a fase ostensiva da operação chega ao fim e abre espaço para o aprofundamento das investigações.

As empresárias Rossana Paroschi Jafar, proprietária da Gráfica Alvorada, e Jéssyca Duarte Burgatt, sócia da Capital Saúde e filha do ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt, foram as últimas presas a passar pela audiência de custódia. As sessões ocorreram posteriormente porque os mandados de prisão foram cumpridos após o meio-dia da última terça-feira (7), diferentemente dos demais investigados.

Com isso, todos os presos alcançados pela Operação Gutenberg já foram apresentados ao Poder Judiciário.

O que muda agora

Encerrada a fase das prisões, o trabalho dos investigadores passa a se concentrar na análise do vasto material apreendido durante o cumprimento dos 43 mandados de busca e apreensão realizados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Entre os itens recolhidos estão:

celulares;

computadores;

notebooks;

documentos físicos;

contratos administrativos;

registros financeiros;

mídias digitais;

dinheiro em espécie;

equipamentos eletrônicos.

Todo esse material será submetido a perícia para reconstruir a dinâmica do suposto esquema investigado.

Análise financeira será prioridade

Uma das principais frentes da investigação será o rastreamento da movimentação financeira dos investigados.

Segundo o MPMS, a organização criminosa teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos relacionados principalmente à aquisição de livros paradidáticos.

Os investigadores buscarão identificar a origem dos recursos, os destinatários dos pagamentos, a circulação do dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas e eventual ocultação patrimonial.

Essa etapa também poderá esclarecer o papel desempenhado por cada investigado dentro da suposta organização.

Participação individual

Embora a operação tenha apontado a existência de uma organização estruturada, a responsabilidade de cada investigado ainda será individualizada.

O Ministério Público pretende confrontar documentos, conversas extraídas de aparelhos eletrônicos, contratos, movimentações bancárias e demais elementos obtidos durante as buscas para definir a participação de cada integrante.

Esse trabalho servirá de base para eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

Investigação pode avançar

Com a conclusão das perícias, a Operação Gutenberg poderá ganhar novos desdobramentos.

Caso surjam elementos que indiquem a participação de outras pessoas ou empresas, o Ministério Público poderá requerer novas diligências, oitivas, buscas ou outras medidas previstas na legislação.

Também poderão ser aprofundadas as investigações sobre contratos firmados por municípios, empresas ligadas aos investigados e a atuação de servidores públicos.

Operação continua

A Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

Além das compras de livros paradidáticos, a investigação também apura a suspeita de utilização da estrutura da Regulação Estadual da Saúde para favorecer interesses relacionados ao grupo investigado.

Com o encerramento da fase ostensiva, a expectativa é de que os próximos desdobramentos ocorram principalmente nos bastidores da investigação, por meio das perícias técnicas e da análise das provas reunidas pelo Ministério Público.

Até eventual denúncia, julgamento e decisão definitiva, todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.