Prefeito vê perseguição ideológica de Lula contra artistas não alinhados
O prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL), delegado de polícia, usou as redes sociais para denunciar o que classificou como um ato de perseguição política por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a retirada de recursos federais destinados ao custeio do show do cantor Zezé Di Camargo, previsto para o dia 31 de dezembro no município.
De acordo com o prefeito, o repasse havia sido regularmente empenhado, aprovado e autorizado pelo próprio Ministério do Turismo, após o cumprimento de todos os trâmites legais, incluindo análise documental, contrato assinado, cachê definido e cadastro do artista junto à pasta federal. Mesmo assim, segundo ele, o governo federal determinou o cancelamento do custeio.
“O governo Lula, em um ato de perseguição a Zezé Di Camargo e ao povo de Marabá, mesmo após empenho e aprovação do seu próprio Ministério do Turismo, mandou cancelar o custeio que prometeu”, afirmou Toni Cunha.
Críticas antecederam cancelamento
O prefeito relaciona a decisão do governo federal às críticas públicas feitas por Zezé Di Camargo na semana anterior, quando o cantor se manifestou contra a presença do presidente Lula na inauguração do SBT News, evento que contou também com a participação da primeira-dama Janja e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Na ocasião, Zezé criticou a postura da emissora e da família de Silvio Santos, afirmando que, por compromisso com o povo brasileiro, não poderia se manter em silêncio diante do que classificou como aproximação excessiva entre mídia e poder político.
Para Toni Cunha, o cancelamento do recurso logo após essas manifestações não foi coincidência.
“Depois do show anunciado, contrato assinado e recursos empenhados, o governo Lula, por discordar da posição política do cantor, resolve cancelar”, declarou.
Prefeitura vai bancar o show e acionar a Justiça
Mesmo com a retirada do recurso federal, o prefeito garantiu que o show será mantido e que a prefeitura assumirá o custo, evitando prejuízo à população e ao comércio local.
“Marabá vai pagar e o show está mantido. Determinei que a Procuradoria do Município entre na Justiça contra o governo federal”, anunciou.
Toni Cunha também criticou argumentos de apoiadores do governo que tentaram justificar o cancelamento com suposta priorização de investimentos em saúde. Segundo ele, os recursos eram exclusivamente do Ministério do Turismo, destinados a fomentar eventos e movimentar a economia local.
“O ministério dos recursos prometidos é o do Turismo, não o da Saúde. Isso é tentativa de confundir a população”, afirmou.
Impacto econômico e histórico de promessas
O prefeito destacou que a decisão do governo federal gerou prejuízos aos cofres públicos e frustrou expectativas de ambulantes, comerciantes, rede hoteleira e empresários que se prepararam para o aumento do fluxo turístico nas festas de fim de ano.
Em tom crítico, Toni Cunha também relembrou promessas feitas por Lula em visitas anteriores a Marabá, como o anúncio da instalação de uma siderúrgica que, segundo ele, nunca saiu do papel.
“Lula deixou um histórico de promessas não cumpridas em Marabá. Agora, mais uma vez, o governo frustra a cidade”, afirmou.
“Não vamos humilhar o povo de Marabá”
Encerrando as manifestações, o prefeito afirmou que, diferentemente do governo federal, irá honrar os compromissos assumidos com a população.
“Zezé Di Camargo vai se apresentar em Marabá no dia 31 de dezembro. Não vamos humilhar o povo marabaense”, concluiu.