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Após ser chamada de “pilantra” por Lula, lobista amiga de Lulinha reaparece e quebra o silêncio nas redes; VEJA TUDO

Empresária próxima de Lulinha publica defesa nesta sexta-feira, cita relatório da PF, reclama de tratamento como “lobista” e diz que acusações devem ser analisadas com provas

Depois de dias no centro de uma crise que chegou ao Jornal Nacional e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Roberta Luchsinger resolveu falar.

Na manhã desta sexta-feira (4), a empresária reapareceu no Instagram e publicou uma sequência de manifestações em defesa própria. Foi seu primeiro posicionamento público nas redes depois da repercussão da sabatina de Lula na TV Globo, quando o presidente a chamou de “pilantra” ao responder a questionamentos relacionados às investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Roberta havia desativado seus perfis após a repercussão do episódio.

Agora voltou.

E, embora não cite Lula diretamente nem responda nominalmente à expressão utilizada pelo presidente, apresentou uma defesa extensa, recorreu a trechos que atribuiu ao próprio relatório da Polícia Federal, reclamou da maneira como é retratada pela imprensa e afirmou que acusações precisam ser examinadas com base em “fatos”, “provas” e “devido processo legal”.

A manifestação acontece depois de O Globo revelar, conforme mostrou O Contribuinte, que pessoas próximas a Roberta disseram que ela ficou “possessa” ao ser chamada de “pilantra” pelo presidente.

Segundo a reportagem, aliados de Lula demonstravam preocupação com a possibilidade de a empresária conceder uma entrevista e falar sobre sua relação com Lulinha e integrantes do governo.

Por enquanto, Roberta escolheu outro caminho: os stories do Instagram.

Roberta recorre ao relatório da PF

Em uma das primeiras manifestações, a empresária afirmou que não pretende transformar o caso em uma discussão pública e reproduziu um trecho que atribuiu ao relatório da Polícia Federal.

Na íntegra, Roberta escreveu:

“Não transformarei uma questão que deve ser tratada com responsabilidade e rigor jurídico em um debate público, mas, deixo aqui um pouco do que diz o relatório da própria polícia federal:

‘A peça efetivamente dedica espaço à consolidação de referências a esse mesmo terceiro, admitindo não haver lastro para vinculá-lo. A denominação, se confirmada, (…) passaria a corroborar orientação investigativa não declarada’.

A PF também afirma no texto que não há como provar que Roberta Luchsinger tinha ciência de que recursos recebidos de pessoas investigadas no escândalo do INSS ‘provinham de fraude nos descontos associativos’…”

Trata-se da interpretação e dos excertos apresentados pela própria Roberta. Sem o trecho integral do relatório policial ao redor dessas passagens, não é possível determinar apenas pelos stories todo o contexto em que a PF fez essas considerações.

Ainda assim, a estratégia de defesa ficou clara: Roberta tenta utilizar o próprio documento da investigação para sustentar que determinados vínculos ou conhecimentos atribuídos a ela não estariam comprovados.

“Enquanto a mídia me trata como ‘lobista’…”

Na publicação seguinte, Roberta partiu para o ataque contra a forma como vem sendo retratada.

E colocou uma questão de gênero no centro de sua crítica.

Veja a manifestação completa:

“Enquanto a mídia me trata como ‘lobista’ os demais homens citados tem a prerrogativa de serem ‘empresários’.

É preciso estar atenta para que o legítimo direito à informação não reproduza padrões de misoginia que historicamente submetem mulheres a uma espécie de julgamento moral paralelo, no qual sua vida, sua personalidade e sua condição de mulher passam a ocupar o lugar dos fatos e das provas.”

A empresária, portanto, questiona o emprego da denominação “lobista” e sustenta que homens envolvidos no mesmo contexto seriam tratados como “empresários”.

A declaração surge justamente quando o nome de Roberta ganhou projeção nacional por causa de suas relações empresariais e políticas.

Veja publicações na íntegra:

A relação com Lulinha

A defesa pública ocorre em meio a uma série de mensagens atribuídas a Roberta e encontradas pela Polícia Federal que vêm sendo reveladas pela imprensa.

Conforme O Contribuinte vem mostrando nesta série de reportagens, em conversas de janeiro de 2024 Roberta descrevia uma relação extremamente próxima com Lulinha.

Em uma delas, afirmou:

“Fábio e eu somos uma coisa só.”

E prosseguiu dizendo que, “se um fala vai, todos vão”.

Em outro diálogo, Roberta dizia estar em uma “sociedade com Fábio e Fernando”.

Há ainda as mensagens em que descreve o papel que atribuía ao filho do presidente:

“Fábio não faz nada.”

Depois:

“Ele só entra em campo qdo precisa.”

E:

“Tem q se preservar.”

São justamente diálogos como esses que transformaram a relação entre Roberta e Lulinha em uma das questões centrais das novas investigações.

As mensagens não demonstram isoladamente a prática de crime por Lulinha ou Roberta. A PF procura estabelecer se a proximidade alegada pela empresária se traduziu em influência efetivamente exercida sobre integrantes do governo.

Roberta também se explica sobre cannabis

Em outra publicação desta sexta-feira, Roberta decidiu explicar sua atuação relacionada aos medicamentos derivados de cannabis e canabidiol.

O assunto é particularmente sensível porque, segundo informações reveladas por O Globo, uma minuta ligada a uma operação de fornecimento de medicamentos ao Ministério da Saúde, que poderia chegar a R$ 626 milhões, teria sido encaminhada por Roberta a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Roberta escreveu:

“Meu trabalho sempre teve um propósito muito claro: contribuir para a melhoria da saúde pública, ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos e buscar soluções mais eficientes para o uso dos recursos públicos.

Dentro desse trabalho, defendi a necessidade de revisão e modernização das normas da Anvisa relacionadas aos produtos derivados de Cannabis e ao canabidiol. Não se tratava de defender interesses particulares, mas de discutir uma realidade que já existia: pacientes recorrendo à Justiça para obter seus tratamentos, compras públicas fragmentadas e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação sanitária.

A própria evolução regulatória demonstrou que essa discussão era necessária. A RDC 327/2019, que havia instituído o marco para a autorização sanitária de produtos de Cannabis, foi posteriormente revogada e substituída pela RDC 1.015/2026, em vigor desde 4 de maio de 2026. A nova regulamentação atualizou o modelo anterior e buscou equilibrar ampliação do acesso, uso racional e maior controle dos riscos.”

É a primeira vez, nesse novo momento do caso, que Roberta apresenta publicamente uma justificativa detalhada para sua atuação nessa área.

Ela sustenta que seu trabalho não buscava beneficiar interesses particulares, mas modificar a regulamentação e ampliar o acesso de pacientes aos tratamentos.

R$ 626 milhões no centro das revelações

A manifestação ganha importância justamente por causa dos documentos já revelados.

Segundo O Globo, Roberta teria encaminhado a Marcola uma minuta relacionada a uma negociação de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde.

O negócio poderia alcançar R$ 626 milhões.

Marcola foi chefe de gabinete de Lula e também atuou na coordenação de campanha do petista.

Roberta, por sua vez, aparece em uma série de mensagens falando de sua proximidade com Lulinha e de negócios mantidos com o filho do presidente.

A existência da minuta não significa que o contrato tenha sido celebrado nem que R$ 626 milhões tenham sido desembolsados pelo governo.

O ponto investigado é a articulação realizada em torno da operação e a atuação dos personagens envolvidos.

Fotos, declarações e a crise com Lula

Roberta também possui um histórico público de militância e proximidade política com o campo lulista.

Fotografias dela ao lado de Lula voltaram a circular depois da sabatina do Jornal Nacional.


Em registros e declarações anteriores, Roberta chegou a dizer que sua “luta ao lado do Lula é antiga” e que “quem conversa com Lula se apaixona”.

A existência de fotografias em eventos, por si só, não demonstra relação pessoal ou participação do presidente nos negócios investigados.

Mas os registros ganharam importância política depois da tentativa pública de Lula de estabelecer distância entre seu governo e a empresária.

A tensão aumentou ainda mais após o presidente chamá-la de “pilantra”.

Roberta encerra falando em “fatos e provas”

A última manifestação publicada por Roberta nesta manhã adotou um tom pessoal.

Sobre uma fotografia em preto e branco, escreveu:

“Neste momento, seguirei preservando minha família, minha vida pessoal e a seriedade com que esse assunto deve ser tratado. Tenho a serenidade de quem sabe que acusações devem ser examinadas com responsabilidade, à luz dos fatos, das provas e do devido processo legal – e não a partir de preconceitos, estereótipos, ilações ou julgamentos antecipados.”

Roberta não atacou Lula nominalmente.

Não mencionou Lulinha.

Também não explicou nos stories mostrados a frase atribuída a ela de que seria “uma coisa só” com Fábio Luís, nem as mensagens sobre a necessidade de “preservá-lo”.

Mas rompeu o silêncio.

E fez isso menos de uma semana depois de ser atacada publicamente pelo próprio presidente que apoiou politicamente durante anos.

Depois de Lula falar, agora Roberta começou a apresentar sua versão.