O governo argentino afirmou nesta quarta-feira (20) que não recebeu qualquer solicitação de asilo político por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi repassada a veículos de imprensa, após a Polícia Federal (PF) divulgar ter encontrado um documento no celular do ex-chefe do Executivo brasileiro no qual ele pede asilo ao presidente Javier Milei, seu aliado.
Segundo fontes não identificadas que falaram à agência de notícias Reuters, à CNN Brasil e também ao portal G1, nenhum pedido do tipo chegou à Casa Rosada, sede da Presidência argentina.
O documento relatado pela PF tratava-se de um arquivo de texto nomeado “Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx”, salvo em fevereiro de 2024, dois dias após o líder conservador brasileiro ter seu passaporte apreendido por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O arquivo encontrado não tinha nem data, nem assinatura inseridas. Nele, o ex-presidente se apresentaria como “perseguido político no Brasil” e afirmaria temer por sua própria vida. “Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito à Vossa Excelência [Milei] asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político no Brasil, por temer por minha vida, vindo a sofrer novo atentado político, uma vez que não possuo hoje a proteção necessária que se deve dar a um ex-chefe de Estado, bem como por estar na iminência de ter minha prisão decretada, de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional pelas próprias autoridades públicas que promovem a perseguição contra mim, diretamente da mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro”, diz o arquivo, que contém 33 páginas.
Paulo da Cunha Bueno, advogado de Bolsonaro, afirmou que a carta de asilo foi uma sugestão descartada imediatamente, e que a fuga “nunca foi uma opção”. “Depois de rejeitar a ideia do asilo, o ex-presidente não apenas permaneceu no Brasil, como compareceu a todos os atos do processo contra ele, inclusive àqueles para os quais não foi convocado”, disse ele à Folha de S.Paulo.
O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para a defesa de Bolsonaro prestar esclarecimentos sobre o documento.