Novo líder do PL em MS, Reinaldo Azambuja ignora operação da PF contra Bolsonaro
O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, adotou o silêncio diante das ações da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a decisão de Alexandre de Moraes que impôs o uso de tornozeleira eletrônica e censura digital.
Mesmo após a repercussão nacional da medida, que gerou uma onda de protestos de lideranças de direita e manifestações de solidariedade ao ex-presidente, Reinaldo não fez qualquer declaração pública em apoio a Bolsonaro. Desde o episódio, ele realizou três publicações em suas redes sociais, mas nenhuma sequer menciona ou faz alusão à operação, nem à situação política do presidente de honra do PL.
A postura contrasta com a de outras figuras da direita sul-mato-grossense, como deputados, vereadores e influenciadores, que se manifestaram abertamente contra a decisão do STF e chegaram a celebrar o anúncio do ex-presidente Donald Trump de sanções contra os ministros da Suprema Corte. Muitos classificaram as ações como perseguição política e “ditadura judicial”.
Enquanto lideranças locais reafirmam seu alinhamento com Bolsonaro, Reinaldo parece caminhar em sentido oposto, evitando qualquer envolvimento direto com os desdobramentos que envolvem seu futuro colega de partido.
O silêncio é ainda mais emblemático considerando que Reinaldo está prestes a ser oficializado como presidente estadual do Partido Liberal (PL) — partido que tem Bolsonaro como principal liderança nacional e símbolo eleitoral.
Aliados de Azambuja já o tratam como o novo comandante do PL em Mato Grosso do Sul, e sua nomeação oficial é questão de dias. A movimentação integra o projeto político do ex-governador, que deve disputar uma vaga ao Senado Federal em 2026.
Mas, diante do cenário atual, a ausência de qualquer manifestação pública pode ser interpretada como cálculo político ou distanciamento proposital, numa tentativa de manter pontes com setores mais moderados ou evitar desgaste com o Judiciário. Internamente, o silêncio também começa a incomodar apoiadores do ex-presidente no estado, que esperavam uma postura mais alinhada com o bolsonarismo.