O ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) deu mais um passo em direção à candidatura ao Senado em 2026, agora pelo PL (Partido Liberal). Em reunião realizada na manhã de ontem (3), em Brasília, com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), Azambuja acertou detalhes da futura filiação, que deve ser formalizada nas próximas semanas. Antes disso, o ex-governador pretende conversar com lideranças do PL em Mato Grosso do Sul para consolidar o apoio interno.
Durante o encontro, Reinaldo foi direto: não quer mais de uma candidatura ao Senado pelo partido em 2026. A posição já havia sido levada informalmente à cúpula da sigla, mas foi reiterada com firmeza na reunião em Brasília. Com a entrada de Azambuja no partido, a tendência é que o PL recue da pré-candidatura da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), que vinha sendo cogitada como nome do partido.
Apesar de declarar não ser contra Gianni pessoalmente, Reinaldo defende que não é “inteligente” dividir forças dentro do mesmo partido, principalmente em uma eleição majoritária com duas vagas ao Senado. O ex-governador também resiste ao nome do deputado federal Marcos Pollon (PL), outro nome ventilado para a disputa, por considerar que sua candidatura representaria uma ala mais ideológica, próxima do bolsonarismo raiz.
Segundo interlocutores próximos a Azambuja, a avaliação interna do grupo é clara: uma eventual candidatura mais alinhada ao bolsonarismo puro, como Gianni, Pollon ou mesmo Capitão Contar (PRTB), teria alto potencial de crescimento. O receio é repetir o fenômeno de 2018, quando a então desconhecida Soraya Thronicke foi impulsionada pela onda bolsonarista e conquistou uma das cadeiras no Senado como “senadora do Bolsonaro”.
Para o entorno de Reinaldo, mesmo com o eleitorado tendo direito a dois votos para o Senado, o risco de uma candidatura de direita mais autêntica “explodir de votos” e tomar espaço é real. Por isso, o ex-governador tem se posicionado contra uma pulverização de nomes dentro do PL e quer ser o único nome da sigla para o Senado. apostando em unir tanto o eleitorado tradicional do centro quanto os bolsonaristas mais pragmáticos
Além dos concorrentes internos, o grupo de Azambuja monitora com atenção uma possível candidatura de Capitão Contar, que, embora esteja fora do PL, ainda mantém forte identificação com o eleitorado conservador. O receio é que Contar acabe se beneficiando e herde a maior parte dos votos da base bolsonarista, comprometendo as chances do ex-governador.
Para garantir o apoio da máquina partidária, Reinaldo conta com o aval de Valdemar da Costa Neto e Rogério Marinho, principais articuladores do centrão dentro do PL. Ambos veem com bons olhos a filiação de Azambuja como uma forma de ampliar o campo de alianças e consolidar o partido como protagonista nas eleições de 2026 no Estado.