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Banco Master emprestou R$ 22 milhões para cunhada de Hugo Motta

Deputado nega relação, mas mensagens com Daniel Vorcaro colocam operação sob suspeita

Um empréstimo de R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master à empresária Bianca Araújo Medeiros, cunhada do presidente da Câmara, Hugo Motta, colocou novamente a instituição financeira no centro de um enredo que mistura negócios milionários e bastidores políticos em Brasília.

A operação, revelada pela Folha de S.Paulo, foi realizada em março de 2024, poucos dias após Bianca assumir o controle total da ETC Participações — empresa que, até então, possuía capital social de apenas R$ 100 mil. Uma semana depois da aquisição, ela utilizou a totalidade das cotas da empresa como garantia para obter o crédito junto ao banco comandado por Daniel Vorcaro.

Na sequência, já em abril, a empresária concretizou a compra de um terreno em João Pessoa por R$ 45 milhões — valor significativamente inferior ao valor fiscal do imóvel, estimado em R$ 101 milhões. A área, com cerca de 4 milhões de metros quadrados, deve abrigar um novo bairro na capital paraibana, o que reforça o potencial econômico da operação.

O histórico recente da empresa também chama atenção. Meses antes, a ETC Participações já havia desembolsado R$ 8,6 milhões para adquirir 25% da AJC Participações, indicando movimentações financeiras expressivas para uma estrutura empresarial recém-adquirida.

Proximidade que levanta dúvidas

Embora a assessoria de Bianca sustente que a operação seguiu critérios legais e de mercado, sem qualquer vínculo com o parlamentar, o contexto político adiciona uma camada de desconfiança.

Isso porque o nome de Hugo Motta apareceu em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Mensagens indicariam que o banqueiro esteve na residência oficial da Câmara dos Deputados para um jantar com o parlamentar logo após a articulação que levou Motta à presidência da Casa.

O deputado nega qualquer relação com o banco ou com os negócios da cunhada. Ainda assim, o episódio ganha peso diante de decisões recentes tomadas por ele no Congresso.

CPI descartada e defesa no STF

Em meio às suspeitas que cercam o Banco Master, Hugo Motta descartou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis fraudes envolvendo a instituição, alegando excesso de pautas no Legislativo.

Além disso, o parlamentar também saiu em defesa da atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em processos relacionados ao banco — o que ampliou ainda mais o campo de questionamentos sobre sua posição no caso.

Entre o legal e o político

Formalmente, não há ilegalidade comprovada na operação. No entanto, o conjunto de fatores — empresa de baixo capital utilizada como garantia, crédito milionário liberado em curto intervalo e conexões políticas no entorno do negócio — cria um ambiente propício para escrutínio público.

Em Brasília, onde negócios e poder frequentemente caminham lado a lado, o caso reforça uma velha máxima: nem tudo que é legal deixa de ser, no mínimo, politicamente sensível.